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Opinião

Sem esperan�a?

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Declarações aguerridas e peremptórias estão salientando o aumento da tensão no campo. Sem-terra e com terra esgrimam argumentos e disposição para defenderem os interesses que consideram justos pelos argumentos da força. Há quem enxergue uma ?revolução? florescendo nos campos brasileiros e muitos dos principais protagonistas nos dois lados acreditam que vivem esse momento. Uns reagem com júbilo, outros com repulsa e o problema vai se agravando. A consciência social e o espírito de cidadania devem ser relevados a um plano elevado na apreciação desse dilema. Os atritos não levam a nada de positivo e obstruem a possibilidades de soluções para o conflito. Existem chances reais de serem encontradas soluções práticas para essa situação de tensão. Não são respostas fáceis, mas nenhum problema grave tem solução fácil. E, por cruel contradição, quanto mais simples parece ser o problema, mais complicada é a incógnita. Equacionar o problema da terra no Brasil não é fácil. Primeiro porque resumir essa questão no item posse da terra é algo absolutamente falso. Qualquer solução real terá que contemplar, além da posse, a capacidade de produção e escoamento do produzido; terá que resolver as questões de financiamento e fomento técnico. Sem a intervenção do poder público, a contradição não será sequer amainada, quanto mais resolvida. Não basta desapropriar uma área aqui, outra ali. Sem novas propostas, as legiões dos sem-terra tendem a crescer e aumentarem sua pressão sobre as propriedades mais ao alcance de suas hordas de desesperançados. Nesse cenário, os proprietários tendem a responder à essa pressão com suas próprias forças. Numa situação dessas, de nada adianta o apelo ao desarmamento, à não-violência, ao diálogo e a outras bandeiras meritórias. Urgem mudanças reais na política governamental para encarar esse barril de pólvora. Não adianta insistir no caminho da fala ágil e prática inerte do governo FHC. Nesse rumo, Eldorado dos Carajás é a lição. Um novo caminho precisa ser encontrado, antes que os sem-esperança prevaleçam entre os que têm e os que querem ter terra.

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