app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5710
Opinião

Guerra social

A revista Rumos, da Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (Abade) informa, em sua edição mais recente, que o Brasil entrou no século 21 com um novo perfil demográfico: a faixa etária que reúne o maior número de pessoas está

Por | Edição do dia 20/03/2002 - Matéria atualizada em 20/03/2002 às 00h00

A revista Rumos, da Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (Abade) informa, em sua edição mais recente, que o Brasil entrou no século 21 com um novo perfil demográfico: a faixa etária que reúne o maior número de pessoas está na adolescência, e não mais na infância. De acordo com a Rumos, são 32 milhões de jovens, cuja energia e potencial não podem mais ser ignorados e que reclamam oportunidades para se desenvolverem como indivíduos, trabalhadores e cidadãos. Perto de 32% desses jovens estão no Nordeste, a maioria em precária situação socioeconômica. A mesma publicação revela, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE que, já em 1999, 20% dos nossos adolescentes de 15 a 17 anos de idade viviam em famílias com rendimento mensal per capita de até meio salário mínimo. Essa proporção era bem maior no Nor-deste – 36,35 -, contra 21,6% na Região Norte, 15,4% no Centro–Oeste,12,6% no Sul e 10,7% no Sudeste. Este é apenas um aspecto de uma realidade que somente será modificada com a execução de políticas efetivamente voltadas para o combate das causas e efeitos das desigualdades sociais. Somos, juntamente com a África do Sul, os países com maiores problemas na área social, entre os integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU), conforme acaba de afirmar, publicamente, o relator especial da Comissão de Direitos Humanos para o Direito à Alimentação da própria ONU, Jean Ziegel. O Brasil não pode continuar vivendo o que o emissário da ONU chama de “estado de guerra social” . Para isso, precisamos de mais homens públicos realmente decididos a eliminar todos os fatores que têm contribuído para essa situação. Como o desemprego, a fome e miséria, que aparecem na pesquisa do Ibope, divulgada na última segunda-feira, como os principais problemas brasileiros depois da violência.

Mais matérias
desta edição