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Opinião

Mudando para igual

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Se existia um setor do governo do presidente Lula, que em tudo diferia do seu antecessor, era a política externa. As posições do Brasil nas mais diferentes questões internacionais anunciavam uma postura soberana e independente, em consonância com a importância regional do País. Só para citar dois exemplos: a crise na Venezuela (onde teve importante papel na manutenção do regime democrático naquele país) e na guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, onde não sucumbiu as pressões da diplomacia norte-americana para apoiar os ataques e manteve-se firme na defesa da paz e do mandato da ONU para mediar e resolver conflitos internacionais. De lá para cá, tem havido, de certa maneira, uma inflexão na política externa do governo brasileiro, numa guinada para uma posição mais próxima a defendida pela diplomacia tucana ? como, por exemplo, no quesito referente à Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Alguns especialistas têm lobrigado aí o engatar da marcha à ré. O ponto de virada tem sido identificado na vista de Lula a Bush. Nesse encontro, o Brasil aceitou as ponderações dos Estados Unidos e concordou com o calendário de implantação da Alca fixado pelos norte-americanos (para ter início em 2005). Das negociações, saiu um comunicado conjunto dos dois governos, em que é enfatizada a liberdade do comércio como fator impulsionador da prosperidade dos países. Acontece que o livre comércio proposto pelo governo Bush significa a aceitação da política norte-americana de abertura seletiva de seu mercado, da não-abertura em áreas sensíveis e de envio à Organização Mundial do Comércio do contencioso de temas comerciais que não se interessam em discutir com outros países. Uma abertura de mercado unilateral, pró-americana. Foi uma guinada tão explícita que, segundo o jornal argentino Âmbito Financeiro, o presidente daquele país, Nestor Kirchner, teria comentado que ?Lula se aproximou demais (do governo americano) e não conseguiu nada em troca?. Se confirmado esse retrocesso, eliminou-se uma das poucas áreas onde era possível distinguir algo de diferente do governo atual do anterior.

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