Opinião
Est�vel descenso
Enquanto a proposta de reforma da Previdência vai sendo alvo de renhida luta e revisões que lhe ameaçam o conteúdo (e os objetivos), o País segue ? tranqüilamente ? o mesmo rumo que lhe foi viciado pelo duplo governo FHC, ou seja: calmamente, o Brasil vai afundando. A moeda continua ?estável?, a inflação ?sob controle?, todos os credores recebem (o que pedem) em dia e, enquanto isso, crescem a miséria, a exclusão social e o desemprego. Será a esperança zero? Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em seis das 12 regiões pesquisadas, houve queda da produção industrial. Na média nacional, a produção teve queda de 0,3%. Os campeões nos baques estaduais foram Pernambuco (-7,4%), Ceará (-5,0%), Santa Catarina (-3,0%), Minas Gerais (-2,7%), São Paulo (-2,1%) e Rio de Janeiro (-0,4%). Já na Bahia e no Espírito Santo, segundo avaliações do IBGE, divulgadas pela Internet, ?a influência das exportações sobre a indústria brasileira nos cinco primeiros meses deste ano colocaram-nos (BA e ES) na posição de líderes do setor no País. Os dois estados tiveram um crescimento de 23% e 17,4% na produção em maio e de 22% e 4% no acumulado do ano, respectivamente?. Outras quatro apresentaram resultado positivo em maio: Nordeste (5,1%), Rio Grande do Sul (3,5%), Paraná (1,7%) e Região Sul (0,7%). Olha aí o Nordeste! Mas onde terá ocorrido esse saldo positivo em maio deste ano? Em Alagoas parece não ter sido. Encurtando as avaliações e discussões sobre detalhes da pesquisa, o essencial é a constatação de que nada mudou ainda no cenário maior da economia brasileira. Continuamos estáveis na queda, como nos tempos de FHC & seus neoliberais. Voltemos à questão: são necessárias mudanças urgentes. Naturalmente mudanças responsáveis, planejadas, eficientes. Ações voluntaristas são dispensadas. Mas os rumos do País não podem continuar a ser ditados pela cartilha que perdeu a eleição. A proposta de reforma da Previdência já segue um caminho perigoso, subindo no muro e tentando agradar a gregos e troianos, descaracterizando-se. Sinal ruim, marca das ?estabilidades? que puxam para baixo.