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Integra��o e sonho

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RUYTER BARCELOS * Em mais de uma vez, o presidente brasileiro afirmou a necessidade de se estabelecer uma área de livre comércio entre os países do Mercosul e da Comunidade Andina (Peru, Bolívia, Equador, Venezuela e Colômbia) para fortalecer a posição da América do Sul nas negociações da ALCA. Além disso, defendeu a criação de um novo conceito geopolítico da região, a partir de uma conexão entre os dois blocos. Como se pode observar, são excelentes idéias, entretanto, é preciso analisar com cuidado a oportunidade de tais iniciativas, pois a realidade parece ser outra. O Mercosul não obteve a sua consolidação e muito mais caminha para sua extinção do que para sua ressurreição, pois a crise que se abateu sobre a Argentina de alguma forma contaminou o Uruguai. Sobre aquele país, não se descortina no horizonte próximo, uma solução econômica rápida, pois os seus problemas são mais estruturais que conjunturais. Com importância econômica significativa para as trocas comerciais com o Brasil, o Chile, que aderiu ao Mercosul em condições especiais, possui uma economia estável e representa uma possibilidade emergente desde que as diferenças tarifárias entre os dois principais sócios, no momento, não inviabilizem o acordo. A Venezuela, integrada ao Mercosul nas mesmas condições chilenas, passa por uma violenta crise institucional, tem peso específico para o Brasil devido ao fornecimento de energia elétrica para a região norte do País e ao petróleo mais barato, pela proximidade do transporte. Vencido o óbice atual, com certeza aquele país terá condições de dar vitalidade ao Mercosul, ocupando o espaço argentino. No entorno regional, o cenário econômico não se modifica com os países necessitando da ajuda econômica que o Brasil não pode oferecer. A Colômbia tem uma situação interna das mais delicadas, pois vive uma verdadeira guerra civil. Agravando a situação, é nítido que sua economia está comprometida e sua recuperação levará vários anos, o que a inviabiliza para trocas comerciais, mas a credencia como possível mercado consumidor. O Equador, a Bolívia e o Paraguai, como não possuem uma indústria nacional que proporcione suporte ao mercado consumidor interno, se apresentam como fortes candidatos à absorção dos produtos brasileiros. Nas mesmas condições está o Peru, onde o Sendero Luminoso voltou a ser uma ameaça às instituições nacionais, sendo que um clima de instabilidade dificulta o relacionamento comercial. Por outro lado, o Brasil possui uma indústria pujante em comparação com os demais países e, de certa forma, é visto como uma ameaça às indústrias nacionais. O nosso País é forte em celulose, cítricos, couro e calçados, siderurgia, têxteis, dentre outros setores. Assim posto, é lícito esperar um desequilíbrio na balança comercial sul-americana favorável ao Brasil, fato que por si só já desagrada aos vizinhos. Quem conhece a realidade do Mercosul e da Comunidade Andina sabe que um acordo em tais condições tenderá ao fracasso, pois economias complementares e de mesmo nível podem avançar, mas as competitivas e desproporcionais criam arestas difíceis de aparar. As pessoas que conhecem tais países sabem que, em assuntos econômicos, as mesmas queixas que apresentamos em relação aos Estados Unidos da América, nossos vizinhos apresentam em relação ao Brasil. Por último, o momento interno de cada país não recomenda formular nenhum conceito geopolítico, pois a instabilidade formará um bloco heterogêneo, criando a falsa impressão de força do bloco para negociar a ALCA e, seguramente, uma leve pressão econômica internacional desmoronará o castelo de areia. (*) É OFICIAL DA RESERVA DO EXÉRCITO BRASILEIRO E EX-COMANDANTE DO 59º BIMTZ

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