loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Mortic�nio brasileiro

Ouvir
Compartilhar

Mais uma vez o noticiário policial nacional centra seu foco no Rio de Janeiro. Ontem, em todas as páginas de abertura dos sítios noticiosos da Internet, o destaque era conferido para a ?guerra entre traficantes?. Os confrontos deixaram um saldo de 21 mortos. Cena repetida, comentários versados sobre o mesmo caso. Frases repetidas. Mas não se pode deixar de falar nessa tragédia, a cidadania brasileira não pode se permitir a ser testemunha da banalização de um clima de horror como esse. Os veículos de informação que usaram a expressão ?guerra? o fizeram cobertos de razão. Vivemos uma guerra de verdade, só que um contencioso onde apenas um lado toma as iniciativas dignas de nota. Nos recontros, o Estado ? quando pode ? defende-se através de suas forças policiais. Repete-se a imagem da parte sã da sociedade brasileira acuada, acossada por um inimigo poderoso e nem sempre visível, mas perfeitamente identificável. Repetimos o já dito aqui neste espaço editorial: a tragédia carioca é uma tragédia brasileira, atinge a todos no momento em que se desenrola numa unidade da federação que é um dos mais caros símbolos internacionais de nosso País e nos atinge como perspectiva de futuro, pois as causas do drama sofrido pelo Rio de Janeiro estão replicadas em todo o Brasil. As próprias favelas cariocas são um desdobramento de problemas brasileiros. A partir do nome ?favela?, o cenário dessa guerra evoca suas raízes a problemas nacionais não-resolvidos (Favela é o nome de um dos morros na região de Canudos, tendo sido palco de lutas sangrentas entre as tropas governamentais e os beatos de Antônio Conselheiro, no sertão da Bahia, em 1897). Não se pode considerar coisa normal, ou drama carioca, o acontecido anteontem nas favelas do Rio, quando 21 cadáveres atestam um índice de mortandade superior a alguns recontros de guerras oficiais entre exércitos nacionais. Yes, nos temos um campo de batalha em nossas entranhas. Como um câncer, esse tumor tem de ser extirpado com precisão, antes que seus tentáculos se espalhem de forma irreversível.

Relacionadas