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Opinião

Desditosa fala

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Sem dúvida, a frase entra para a lista das dez mais desastradas falas da história do Brasil. Proferida pelo ministro do Trabalho, no governo do Partido dos Trabalhadores, vaticina: ?O alarme é maior que o drama?. Jaques Wagner, impávido frente à tolice, assim criticou a suposta proeminência conferida ao problema do desemprego no Brasil. Imperturbável, o ministro explicou que parte do alarme é gerado ?pela irresponsabilidade dos que convocam para as vagas de emprego?. Com isso, alerta o candidato a sofista, são criadas filas que depois são reproduzidas pelos meios de comunicação. Seria de duvidar que tais formulações tivessem emanado de tal autoridade, mas a fala é fato, veiculada, ao vivo, pelas TVs. Um absurdo só explicável pela embriaguez do poder. Como alguém em sã consciência pode considerar o desemprego no Brasil de hoje um problema menor que as cenas captadas e veiculadas pela imprensa? E as teses em todos os níveis de pesquisa sobre essa questão? E os inúmeros documentos produzidos e divulgados pelo próprio Partido dos Trabalhadores sobre esse tema? Todos são alarmistas contumazes? O desemprego é um gravíssimo problema e piora a cada dia. Não só no Brasil, mas na maioria dos países. As gigantes filas são formadas a cada anúncio de abertura de vagas, ou da realização de concursos em função de um alarme verdadeiro: o povo sabe, pela leveza do próprio bolso e pelo peso do tempo disponível, que não existem postos de trabalhos disponíveis em termos mínimos. A gravidade dessa situação foi longamente debatida na campanha eleitoral, onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva garantiu em sua proposta de governo ?a geração de 10 milhões de empregos em quatro anos?. Certamente o ex-metalúrgico não disse isso por simples falar, até porque conhece de dentro o ?alarme? disparado nos lares pela falta de emprego. Por falar nisso, ontem, a General Motors anunciou que cortará 600 trabalhadores na unidade de São José dos Campos (SP). A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, entidade filiada à CUT. Será mais um alarme?

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