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Flor do carmelo

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Na quarta-feira passada, dia 16 de julho, a Igreja celebrou a solenidade de Nossa Senhora do Carmo, uma devoção antiga que provém da Palestina. Nos primeiros tempos do cristianismo, alguns eremitas construíram um convento sob um monte chamado ?Carmelo?. Na época das Cruzadas, o calabrês Bertoldo, em cumprimento de um voto feito durante batalha, se retirou para o Monte Carmelo com alguns companheiros, fundando a Ordem dos Carmelitas. Após a retirada dos Cruzados da Terra Santa, esta agremiação religiosa se transferiu para a Europa, sob o nome de Irmãos de Nossa Senhora do Monte Carmelo. A devoção a Nossa Senhora do Carmo caminha com os Carmelitas, porque o estudo mariano é aprofundado justamente no trabalho missionário destes homens de fé que procuraram no espírito contemplativo e no trabalho de evangelização mostrar para nós como regra de vida a necessidade da contemplação de Maria no mistério da Anunciação. A saudação que o anjo Gabriel dirige a Maria exprime, na língua aramáica, um augúrio de paz (shalom), e, na língua grega, um augúrio de alegria (khairé). Tal saudação foi seguida por uma qualificação excepcional, que equivale a um nome próprio: ?Alegra-te, ó cheia de graça? (Lc 1,28). E também foi acompanhada por uma fórmula que dá a esta qualificação um sentido moral e sobrenatural: ?O Senhor está contigo?. Segundo o estilo bíblico, Deus está com aquele que Ele favorece com sua benevolência divina. Portanto, a Ordem do Carmo e sua devoção têm suas raízes no mistério da Anunciação. A Ordem do Carmo algumas vezes foi modificada através da história e possui três ramos: o primeiro para homens que se destinam ao sacerdócio e irmãos leigos congregados; o segundo, contemplativo, para mulheres, posteriormente reformado por Santa Tereza de Ávila, e o terceiro é a Ordem Terceira para leigos de ambos os sexos, sendo a sua principal finalidade a divulgação do Escapulário, bentinho que segundo a tradição foi dado pela Mãe de Deus a São Simão Stock, carmelita inglês, e que beneficia com a proteção de Maria a quem o usa com confiança. Na sua tradição, sobretudo a partir do século XVI, o Carmelo manifestou a proximidade de Maria ao povo de Deus mediante a devoção do Escapulário: sinal de consagração a Ela, como meio de agregação dos fiéis à Ordem Carmelitana e meditação popular de evangelização. É necessário entendermos que a Ordem do Carmo, desde o século XII, tem realizado no mundo uma missão especial, incentivando-nos a olhar para Maria, animadora da primeira comunidade de cristãos, como Mãe e discípula perfeita do Senhor. Ela ajuda-nos a viver no amor fraterno e no serviço mútuo. Nas bodas de Caná, leva-nos a acreditar no seu Filho; ao pé da cruz, torna-se a Mãe de todos os crentes, e, com eles, experimenta a glória da ressurreição. A Virgem do Carmelo é o arauto da Boa Nova da salvação para a humanidade. É a mulher que cria relações de comunhão, não só entre os discípulos de Jesus, mas também com um círculo mais vasto de pessoas: com sua prima Isabel, com os cônjuges de Caná, com as outras mulheres e com os ?irmãos? de Jesus. Por estes motivos, pela sua riqueza espiritual, Maria é, com razão, aclamada como a Flor do Carmelo. A Arquidiocese de Maceió contou em sua história de Evangelização com a presença dos carmelitas, em Marechal Deodoro, infelizmente expulsos na época de grandes perseguições à Igreja. Mas a devoção à Virgem do Carmelo hoje está plantada e bem edificada nas paróquias de Colônia de Leopodina e no Salgadinho, aqui em Maceió. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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