Opinião
A prop�sito de idade
LYSETTE LYRA * A idade é a duração de existência de um ser. No caso, falamos do ser humano e seu período mais avançado de vida, quando ele olha no espelho e vê que já perdeu o viço da mocidade, que as pernas estão mais fracas, que o esquecimento começa a lhe trazer constrangimentos, que as dores vão se instalando por toda parte do corpo. Está na hora de enfrentá-lo e procurar vencê-lo. Para isso, é preciso usar a inteligência, a coragem e a vaidade! A idade cronológica nada representará se encontrar o corpo são, a mente sadia e uma vontade de viver inflexível. Com os inventos que hoje a ciência põe à disposição da humanidade, ninguém demonstra os anos que tem, se for vaidosa, corajosa e, principalmente, se tiver um nível financeiro compatível com os gastos para alguns artifícios exigidos no sentido de obter a aparência desejada. Primeiro é necessário fazer de vez em quando um check-up colocando a saúde no devido lugar, mas não deixar que o item ?doença?, faça parte dos pensamentos primordiais, nem dos assuntos mundanos, o que torna as pessoas tão desagradáveis. Segundo, fazer dos exercícios físicos um hábito natural, sem exageros, para não se transformar em neurose. Terceiro, cuidar da vaidade: se for corajosa e possuir uma situação econômica que lhe permita, submeter-se a algumas cirurgias e tratamentos estéticos. Se existem, por que não usá-los? Hoje as correções plásticas fazem verdadeiros milagres e só é velho e feio quem quer, ou quem não tem condições financeiras para tanto. Mas se o poder aquisitivo não permite chegar às cirurgias, existem, atualmente, cosméticos de extraordinários efeitos e maquilagens fantásticas, capazes de causar verdadeiras metamorfoses na aparência. Claro que para se alcançar sucesso com esses processos é necessário uma boa dose de persistência. Mas não deixe que esses métodos se tornem a finalidade de sua vida e assunto de todas as horas, para que não se transforme numa pessoa fútil de funesto convívio. Cuidar da roupa é muito importante. Não se submeta, porém, a obrigação de vestir grifes famosas. Para se apresentar apropriadamente, basta que o traje seja de bom gosto e bem feito. Usar somente grifes, acessórios assinados ou catalogados, é uma prova de insegurança. A pessoa não confia na sua própria escolha e pensa que usar o que vem de grandes fabricantes ou o que está na moda, é ter feito a melhor opção. Mas onde fica a criatividade e a personalidade? Uma dieta bem compensada de nutrientes pobres em hidratos e calorias é indispensável. Nunca se deixe engordar. Esteja sempre vigilante, pois após se exceder nos quilos, emagrecer se torna um martírio. Também não perca peso em demasia, parecerá um esqueleto vestido. Umas carnezinhas nos lugares certos, dão aquele charme nas pessoas, e viço também. Não fuja da sociedade por preguiça ou comodismo, ou porque a idade lhe pese. Nunca! Freqüente tudo, procure ser alegre, receba, aceite os convites, esteja sempre na ?onda?, não se escandalize com os modernismos. Já dizia o velho ?Chacrinha? na sua sabedoria popular, ?quem não se comunica se trumbica!? As criaturas que se isolam acabam depressivas. ?Idade não é documento!? ?Não deixe a peteca cair!? Use a cabeça: faça palavras cruzadas, aprenda informática, leia, jogue cartas, cante, dance, quando houver oportunidade. Outro dia fiquei feliz vendo pessoas de mais idade dançando, sem nenhum constrangimento, num aniversário. Todos têm o direito de viver até o último dia da existência. Se quiser amar, ame! O amor não envelhece. Seja apenas idosa , nunca velha. Quando eu era adolescente uma moça de 25 anos já se tornava marginalizada. Se não se tinha ainda casado, podia se considerar no ?caritó?. Hoje, felizmente, o conceito de idade mudou e as jovens nem mais querem fazer a tolice de contrair núpcias muito cedo. Bem poucas caem nessa cilada. Pensam em estudar, em ter uma profissão, mesmo porque os matrimônios já não oferecem grande segurança. Antigamente, as mulheres, com 50 anos, se vestiam de velhas, com cocó e tudo. Hoje, tingem os cabelos, usam trajes jovens, saltos altos. Que época maravilhosa! Como a vida se alongou! Não é a idade cronológica que conta e sim o espírito! (*) É MEMBRO DO GRUPO LITERÁRIO ALAGOANO E DA ABRAJET