Opinião
Temores e alardes
Bem que o sábio Wagner, o ministro do Trabalho, avisou: lá vem alarde de novo. Pois o fantasma do desemprego continua a desconsiderar o esconjuro daquela autoridade e teima em assustar o País. Pior, as reações ao desemprego podem causar mais desemprego. A grande questão é o fato de que o Brasil precisa de um projeto ?Desemprego Zero?. Esse sim, é o grande móvel contemporâneo e a única forma segura de se combater o desemprego, a desagregação social, a exclusão. Mas como para a autoridade cuja condição precípua é a atenção e a preocupação com as condições de trabalho no País, esse estresse é fruto do ?alarde?, não se sabe o que esperar de iniciativas nesse campo. Uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio/SP), indica algo tão lógico quanto apavorante: o medo do desemprego está fazendo com que os consumidores se retraiam, deixando de comprar para economizar para dias piores. Os resultados de tal temor são evidentes. Se não for barrada a tendência, a retração nas vendas vai acrescentar novos prejuízos, que em cascata, ocasionarão mais desemprego. É hora de o governo prestar atenção de verdade aos temores, aos alarmes e alardes dessa questão verdadeira. O desemprego está corroendo a alma brasileira, está alquebrando a esperança da população. Temerosa (com justo receio) a maioria não quer contrair novas dívidas, pois teme não poder honrá-las mais adiante em função de, a cada dia com mais intensidade, testemunhar (ou protagonizar) um caso-verdade de perda de emprego. Tementes de perder o emprego ou não conseguir um trabalho qualquer, 54,44% das pessoas (pesquisadas em São Paulo/SP) não pensam em comprar novos produtos nos próximos dois meses. No mês passado, 45,11% não tinham disposição para gastar. O desemprego foi apontado por 27,89% dos entrevistados como a principal causa para o desânimo. Também esse é o maior medo dos entrevistados em relação ao futuro: 29,93% afirmam que terão dificuldades para encontrar um trabalho. Pois, ao contrário de Wagner, o tranqüilo, a cidadania brasileira está muito preocupada com essa realidade. Mais que isso, o pavor começa a crescer de verdade. Seria bom que o governo federal sentisse o tremer das ruas. Sem fazer alarde, esse é o seu papel.