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Mudan�as e sonhos

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Chamou mais a atenção da mídia a presença da Polícia Militar nas dependências do Congresso que a aprovação da proposta de Reforma da Previdência. O impacto causado pela convocação da PM obscureceu o fato de ter sido vencida uma etapa importante na tramitação de uma das reformas mais significativas dos últimos tempos. O lamúrio pela convocação da PM olvida que o direito de protestar tem seus limites em qualquer sociedade, mesmo nos regimes democráticos. E que nesses o Poder Legislativo não pode ser sinônimo de espaço anárquico, tipo Casa de Noca. O problema é que esse mito, o da inexistência de fronteiras para as manifestações de protesto, foi inflado durante muitas décadas por forças e lideranças que hoje estão no poder. Daí, ser mais explicável a confusão e a decepção. Com razão são feitas comparações, pela imprensa, de como seria a reação a fatos semelhantes em conjunturas recentes, quando o Partido dos Trabalhadores capitaneava, em uníssono, os protestos da oposição, unindo parlamentares a manifestantes em ações ousadas nos mais variados cenários, inclusive nas casas legislativas. A comparação se faz necessária para o amadurecimento político de todos, sem exceção. Esse amadurecimento se faz urgente, pois como o próprio ministro do Gabinete Civil acentuou, as soluções para o Brasil não acontecerão de imediato. Segundo essa influente autoridade, ?a situação do País só deverá melhorar daqui a um ano e meio?. Pois o ministro pode ser considerado um grande otimista. Os problemas do Brasil são tão grandes que um prazo pequeno como esse não pode ser garantido para nada. É mais correto se dizer que para o Brasil mudar são necessárias mudanças polêmicas (como a tríade de reformas: previdenciária, tributária, trabalhista). E que quaisquer mudanças de porte atraem grandes interesses que não podem mais serem reduzidos a dicotomia ?trabalhadores x patrões?, ou ?do bem x do mal?. Para o bem do Brasil será fundamental que idéias simplistas, como essas, sejam arquivadas. Afinal, motivos para decepções não deverão faltar.

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