Opinião
Espet�culo de in�rcia
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) baixou em 1,5% a taxa básica de juros da economia (Selic). A decisão era esperada por todos e não causou estranheza. Causou perplexidade na maioria dos analistas a timidez do percentual de queda. Desde que assumiram a área econômica do governo, os próceres do BC e Ministério da Fazenda, reiteradas vezes, enfatizaram que a queda dos juros era uma questão técnica e não política. No entanto, desde a primeira reunião do Copom no governo Lula, que as decisões sobre a taxa básica de juros da economia são pautadas por decisões políticas. Nessa primeira reunião, o aumento na taxa de juros era justificado pelo fato do governo obter a confiança dos organismos e investidores internacionais. Nas demais vezes, a justificativa de que a inflação não dava sinais claros de arrefecimento ? várias foram as desculpas para continuar com a política herdada de FHC: manter os juros nas alturas. Na primeira oportunidade que o governo Lula baixa os juros (pressionado por um quadro de recessão, aumento do desemprego e queda nas exportações), o percentual é considerado insuficiente por si só para reverter as expectativas dos agentes econômicos, ávidos pelo ?espetáculo de crescimento? prometido. Na verdade, não há nada de novo no horizonte do Planalto; continua em cartaz o ?show de estabilidade e recessão de FHC?. Algumas das medidas que o governo federal poderia adotar para criar as condições para a entrada em cena da retomada do desenvolvimento na vida nacional ? além da queda na taxa de juros ? seria o descontingenciamento dos recursos orçamentários e uma intervenção no câmbio para recuperar a competitividade das exportações brasileiras. Do ponto de vista mais geral, um projeto de desenvolvimento para o Brasil parece que vai ter que esperar mais do que os integrantes do governo prometiam. A expectativa era de que o ano de 2003 servisse para arrumar a casa, mas, segundo o ministro da Casa Civil, José Dirceu, o ?espetáculo de crescimento? prometido para o segundo semestre deste ano terá que ser adiado para 2005. Haja esperança (e paciência)!