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Independ�ncia zero

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Desde a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, observou-se uma inflexão na postura do governo brasileiro diante do contencioso com aquele país. Especificamente com relação à criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), a mudança foi visível, muito embora o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tenha escrito vários artigos tentando desfazer a óbvia e ululante submissão aos interesses norte-americanos. As propostas disparadas desde o Banco Mundial passaram a ser regra. Assim foi na elaboração da reforma previdenciária (em tramitação) e em outras idéias ainda em ?gestação? como a privatização das universidades públicas, eliminação da multa de 40% do FGTS por demissão imotivada, eliminação do desconto no Imposto de Renda de gastos com saúde e educação, dentre outras, todas estas propostas seriam, segundo os estudiosos (da própria esquerda), sugeridas a partir de Washington. A manutenção dos contratos (que culminou com papel vexatório do governo no episódio do aumento das tarifas telefônicas) transformada em dogma é motivo de apoio e aplausos em Wall Street; as metas apertadas de superávit primário e inflação tão ao gosto do FMI (para fazer caixa para o pagamento do serviço da dívida), o não estabelecimento de um controle sobre o fluxo internacional de capitais, dentre outras medidas, transformaram o governo Lula num exemplo que os organismos internacionais gostariam de ver seguidos por outros países. No caso da Argentina, depois do grande desastre causado pela obediência total ao modelo desenhado desde os Estados Unidos, a nova opção até o momento pelo governo daquele país é digna de ser estudada: o novo governo argentino implantou um tipo de controle dos fluxos internacionais de capitais, foi anunciada a revisão dos contratos de privatização dos serviços públicos, a manutenção do congelamento das tarifas públicas, o salário mínimo e as aposentadorias tiveram aumentos e o pagamento da dívida pública será feito de acordo com o desempenho da economia: maior crescimento, maior desembolso e vice-versa. Bem diferente do Brasil. Será que o efeito Orloff só funciona num sentido?

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