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Opinião

Sinais inquietadores

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Como se não bastassem os tremores sociais provocados pelo marchar dos sem-terra, agora os sem-teto também passam a causar abalos sísmicos que atingem as bases da questão do uso e propriedade do solo urbano. Da ocupação de um ou outro prédio abandonado (na maioria dos casos imóveis com pendências na Justiça) ou terrenos de periferia onde a posse já era de alguma forma difusa, evolui-se para ações de maior impacto. O caso do ?Terreno da Volks?, em São Bernardo do Campo, é o mais emblemático dos casos. Além de todas as complicações óbvias decorrentes da invasão por milhares de pessoas de um terreno de razoável valor de mercado, situado num dos principais centros fabris brasileiros e, ainda por cima, de propriedade de uma das maiores montadoras multinacionais de veículos. Estão apinhadas naquele perímetro cerca de 7.000 pessoas, sendo 3.000 crianças, segundo o movimento. Ingredientes explosivos. Como se não bastassem esses componentes básicos, o sangue inocente foi-lhe acrescido como condimento, com o assassinato de Luiz Antônio da Costa, repórter fotográfico da revista Época. É verdade que as principais suspeitas sobre a morte do jornalista recaem sobre marginais estranhos aos ocupantes do terreno. Mas a tragédia fez chamar ainda mais a atenção sobre aquela faixa de terra. O vaivém jurídico e político sobre o caso aumenta sua importância, espargindo o caso para dimensões nacionais. E assim o é. O Brasil precisa ficar atento às ebulições sob a crosta da sociedade convencional. Os ?sem? demonstram uma disposição típica dos desesperados, e o mais notável, desesperados bem organizados. Paliativos já não mais surtem efeito. São exigidos remédios mais profundos, são cobradas políticas públicas reais e não mais declarações de intenções. Como seria de se esperar, as contradições tendem a se agravar na vigência de um governo exercido por um partido identificado com os despossuídos, alinhado com teses de esquerda. Como é de se esperar, a história não dispensará soluções inovadoras. Com a palavra, os com poder.

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