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Opinião

Momento delicado

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EDUARDO BOMFIM * Torna-se óbvio que o Brasil vive um período particularmente delicado. Fatores econômicos, políticos e sociais confluem-se e desencadeiam um quadro geral preocupante. Do ponto de vista político, o governo Lula é fustigado pelos setores conservadores que visam impedir a materialização das reformas imprescindíveis à retomada de um projeto nacional desenvolvimentista e de inclusão social. A famosa batalha que objetiva ajustar o sistema previdenciário, tem sido um fator de constantes atritos, que envolvem as justas reivindicações de parte considerável dos servidores públicos, com as quais os comunistas se associam. Há, igualmente, os poderosos interesses corporativos de segmentos privilegiados que não desejam perder suas vantagens, imensamente desproporcionais ao conjunto dos outros trabalhadores do setor público. Ao mesmo tempo, juntam-se a este imbróglio, os lobistas dos fundos privados de pensão, buscando conquistar esta fatia espetacular de mercado. A grande mídia não busca elucidar, esclarecer, contribuir para uma justa solução do complexo problema. Pelo contrário, confunde propositalmente. A intenção é clara, desgastar o governo, atrair uma grande parcela, organizada, da classe média para o campo da oposição, dividindo e enfraquecendo as forças democráticas, nacionais e progressistas que sustentam o governo. Para tanto conferem grandes espaços a uma minoria de parlamentares, alguns dos quais jamais obteriam em outras circunstâncias, uma linha ou um mínimo espaço nas redes de TV. Partindo de posições dissociadas da realidade, sectárias, esquerdistas mesmo, jogam água, conscientemente ou não, no moinho do capital financeiro e das oligarquias derrotadas em outubro de 2002. Submetido aos compromissos draconianos para com o FMI e o maior devedor mundial deste, 25 bilhões de dólares, o País vê-se de outro lado, sobrestado em relação à retomada do crescimento econômico e a adoção de robustas políticas públicas de inclusão social. Associado a estes fatores, a economia internacional entra em processo de deflação e cresce a possibilidade de especulação altista nas bolsas de valores. Aumenta em grande escala o desemprego no País. Há uma paralisia em quase todos os segmentos produtivos. Estados e municípios podem entrar em grave crise. Os movimentos sociais, como o MST e os sem-teto, intensificam suas reivindicações contidas durante dezenas de anos. A reação busca promover um clima de histeria, de agravamento do quadro político, trabalhando, em perspectiva, um contexto de crise institucional. Neste panorama, as forças e personalidades progressistas, nacionalistas e democráticas, mesmo insatisfeitas com os rumos da economia, a demora da queda dos juros e outras medidas fundamentais para implementação de um projeto nacional, soberano, escaldadas com os exemplos históricos, principalmente o mais recente, em 1964, buscam auxiliar o governo Lula no sentido de navegar nestas águas turbulentas. Na certeza de que só existe um caminho a ser adotado, a vitória do governo e a derrota dos conservadores sejam eles do estilo ?clássico?, como o PFL ou os neoliberais do PSDB e adjacências. O momento exige muita competência política, ousadia e firmeza na defesa de um novo rumo para o Brasil. (*) É ADVOGADO

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