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Armas no mundo

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DOM EDVALDO G. AMARAL * Em 1965, na Assembléia Geral da ONU, o papa Paulo VI fez aquele caloroso apelo, de todos conhecido: A guerra, nunca mais! Nunca mais, a guerra! O insistente pedido aos líderes mundiais presentes ao mais alto fórum que existe no planeta, feito pelo heróico papa, cujos 25 anos de chegada à Pátria celestial comemoramos no dia 6 de agosto, foi renovado, no mesmo solene auditório, pelo seu sucessor, que agora comemora suas Bodas de Prata de pontificado, João Paulo II. Foram inúteis os esforços do pontífice romano, no início deste ano, para evitar a invasão (e destruição) do Iraque, apelando para o direito internacional e não para uma concepção religiosa, com o coro favorável da opinião mundial e o apoio da própria ONU, que não via motivos suficientes para empreender aquela guerra de destruição em massa ? essa sim - do país muçulmano. Existem cerca de 639 milhões de armas circulando pelo mundo, apesar dos esforços da Organização das Nações Unidas para conter o comércio ilegal de armas e fazer campanha junto aos governos, para destruição de armamentos, em regiões onde terminaram as guerras, informa o Internationel Press, jornal editado aqui no Japão. Cerca de 59% dessas armas são legais e estão nas mãos de civis, o restante ou é ilegal ou está na posse das forças armadas ou das polícias, informa o mesmo jornal. Eis aí uma das causas que provocam e incentivam as guerras no mundo e favorecem a prática do crime organizado. Essa informação foi divulgada na imprensa por um recente levantamento, realizado pelo Instituto de Estudos Internacionais de Genebra. O número de armas no mundo cresce assustadoramente, uma vez que 7 milhões de revólveres são fabricados anualmente, muito mais que o pequeno número de armas, recolhidas e destruídas pelos poucos movimentos internacionais, que trabalham nas chamadas ex-zonas de guerra. Pelos menos ? é o que se sabe ? 1.134 empresas em 98 países produzem armas de fogo, mesmo considerando que, desses, apenas 30 países têm uma produção significativa. Segundo pesquisa da ONU, fabrica-se um número imenso de armas portáteis, que vão de pistolas, espingardas e mini-metralhadoras, até pequenos morteiros e sistemas portáteis antiblindagem. Os Estados Unidos e a Rússia lideram essa indústria da guerra e do crime, sendo juntos responsáveis por 70% da produção mundial. Mas é a Europa o principal exportador, segundo a pesquisa de Genebra, acima citada. No Velho Continente, existem 84 milhões de armas nas mãos de civis, o que significa que há 17 armas para cada 100 pessoas. Nos Estados Unidos, porém, calcula-se que circulem entre 238 milhões a 276 milhões de armas de fogo, o que daria praticamente uma arma para cada habitante do país. O levantamento, que anualmente vem sendo feito desde 2001, aponta que o mercado internacional legal de armas movimente cerca de quatro bilhões de dólares americanos por ano e o tráfico dessas armas atinja a quota de um bilhão de dólares. Nada se pode saber da fabricação ilegal e do tráfico clandestino de armas no planeta. Se os países gastassem mais com escolas e instituições educativas do que com armas, o mundo seria mais pacífico e mais feliz, certamente. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ, ORA EM VISITA MISSIONÁRIA AO JAPÃO

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