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Opinião

Esperan�a prim�ria

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Termo cunhado pelos economistas no início da década de 90, o superávit primário (também chamado de esforço fiscal) está se tornando familiar para a maioria dos brasileiros. O termo indica recursos que o governo (federal, estadual e municipal) economiza para o pagamento dos juros da dívida pública. O Banco Central (BC) informou, no meio desta semana, que no período de janeiro a junho de 2003 o país obteve o maior superávit primário de sua história: R$ 40 bilhões, equivalente a 5,41% do Produto Interno Bruto (PIB), superando com folga a meta acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de 4,25%. Contudo, o recorde do superávit primário não foi suficiente para pagar os juros (cerca de R$ 74 bilhões, provocando um déficit de R$ 34 bilhões) da dívida no período, por um motivo muito simples: como a grande maioria da dívida pública está atrelada à taxa básica de juros (Selic), qualquer esforço fiscal torna-se inócuo, se ela é tão alta como a brasileira. Estima-se que a queda de 1,5% na taxa Selic determinada pelo Comitê de Política Monetária do BC, em sua última reunião, irá propiciar uma economia de R$ 6 bilhões até o fim do ano com o pagamento dos juros. Se todo este formidável arrocho fiscal impede que o país possa trilhar o inadiável caminho do crescimento econômico, por que então o governo Lula preferiu seguir a mesma trilha do seu antecessor no cargo? Durante a campanha eleitoral, quando se consolidou a tendência de vitória do candidato do PT, foi feito um acordo entre o governo FHC e o FMI, com o apoio do então candidato Lula, para manter inalteradas as políticas monetária e fiscal no governo pós-tucano. Não é por acaso que em organismos tipo FMI, Banco Mundial e entre os grandes investidores nacionais e internacionais, o governo Lula seja tratado com tanta deferência e confiança. Até eleitores do candidato tucano ? como o dono do Banco Itaú, Olavo Setúbal ? reconhecem que ?Serra não aplicaria, e nem poderia, programas como os de Lula. Até porque o PT impediria?. Resta agora ao governo do presidente Lula planejar algo realmente novo, pós-superávit primário, capaz de reconquistar a confiança dos eleitores que o elegeram com a esperança de novos rumos para o Brasil.

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