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Opinião

Atos da juventude

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MILTON HÊNIO * Chegou ao meu consultório um jovem de 13 anos bastante deprimido. Estava acompanhado dos pais que o levaram para ser consultado, julgando tratar-se de doença clínica, pois apresentava sintomas como vômito, dor de cabeça e grande sensação de fadiga. Recusa-se ir ao colégio e vive sempre acuado sem querer sair de casa. Conversamos bastante. Notei que é muito tímido, mas ficou meu amigo. Em pouco tempo, desabafou a sua angústia. É que no colégio onde estuda, em sua classe, há um grupo de uns seis colegas que lideram sua turma e fazem com que os outros obedeçam as suas ordens. Tomam atitudes erradas, fazem todo tipo de confusão, insultam e são ousados com as meninas da aula. E ele não faz parte desse grupo. Não é do seu temperamento. É muito estudioso, tira notas boas e dessa forma fica sendo o alvo de chateações diárias por parte desses jovens. Comentário ? o termo ?Maria-vai-com-as-outras?, usado popularmente, se adapta às pessoas de personalidade fraca, que vão na onda para conseguir objetivos. O fato é que cada ser humano tem o seu temperamento, o seu modo de pensar e de agir. Não podemos impor a nossa vontade e, assim, excluir alguém do nosso grupo porque pensa diferente. Principalmente quando a solicitação é para atos indignos. Em 1920, o grande psicólogo suíço Jung publicou um livro que ainda é muito atual, chamado ?Tipos Psicológicos?, no qual ele apresenta a teoria que define como inata as diferenças fundamentais da personalidade humana. E classifica o ser humano como pertencente a dois grupos: os extrovertidos e os introvertidos, cada qual com suas características de alegria, de comunicação e de sisudez, de pouca conversa. Entretanto, todos dois tipos podem ser vitoriosos, dependendo do comportamento e dos atos de responsabilidade que assumam perante a sua comunidade. A convivência humana é feita, infelizmente, de conflitos e tensões. O jovem em questão ficou apavorado, com medo, por encontrar uma situação de agressividade em sua frente, sem ter praticado nenhum ato que merecesse essa atitude dos colegas. Este é um dilema muito comum enfrentado por muitos jovens em vários colégios. Vão estudar e passam a lidar com o medo. De fato, para ultrapassar as próprias limitações e realizar seus sonhos, o jovem deve encarar de frente esse medo, evitando o comportamento de fuga e de auto depreciação, a qual é uma das mais nefastas formas de punição que alguém pode infligir a si mesmo. Há momentos dessa convivência negativa que sangram na memória do jovem que se sente inibido. Para o adolescente acreditar em seus objetivos é preciso ter uma certa coragem. É correr contra a correnteza de uma cultura atual estimulada pela mídia, que alimenta a banalização do sexo, o ter, o consumo desenfreado, depreciando os valores espirituais como a bondade, a ética e o amor. Dizem os estudiosos da psicanálise que os jovens adolescentes que têm prazer em causar confusão, em brigar com os colegas sem motivação, projetam focos de tudo aquilo que não gostariam de sofrer, que está reprimido, escondido em seu inconsciente. Quanto aos pais, é natural a preocupação com os filhos. Pascal dizia que os pais devem ter paciência com os filhos até que eles completem 20 anos; depois eles é quem devem ter paciência com os pais. O passo mais importante a ser dado para nos superarmos nas dificuldades é abrirmo-nos sempre através do diálogo, sem confronto e sem agressividade, e deixar que o tempo passe para vermos os frutos que colheremos dentro de uma conduta digna. (*) É MÉDICO E-MAIL: [email protected]

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