Opinião
Jornalistas alagoanos
GILBERTO DE MACEDO * É sobre a historia do nosso jornalismo alagoano. Se não foi, ainda feita, há que, alguém da área, realizá-la, com urgência, sobre os falecidos e aposentados. Para que não se alongue o esquecimento da comunidade, que tanto se beneficiou do trabalho dos mesmos tanto quanto continua a se fazer ainda hoje. Nomes que, à época, com toda dificuldade no batente do dia-a-dia, noite a dentro, dedicavam?se à cansativa tarefa de oferecer aos leitores a verdade da notícia, a análise do comentário, a judiciosa crítica dos fatos. Muitos, de tão longe, já caíram no esquecimento. Mas, existem alguns na lembrança de raros contemporâneos. Do século passado, por exemplo, nos primórdios do ?Jornal de Alagoas?, nomes como Rodrigues de Macedo e Luís Silveira - este, posteriormente, fundador da GAZETA DE ALAGOAS, - merecem destaque. E, a seguir, nas sucessivas gerações, há nomes que se notabilizaram por sua atuação marcante na imprensa local, e, depois, noutros centros maiores. Sem muita precisão, quanto a particularidades de atuação, citaremos alguns que nos chegam à memória, procurando seguir a ordem cronológica. Assim, é o nome de Luiz Lavenáre que assinava diariamente na GAZETA DE ALAGOAS uma coluna intitulada ?A Propósito de...? na qual tecia crítica a fatos do cotidiano local. Outros, como Jurandir Gomes, João Batista Pinheiro, Nunes Lima, José Correia, José Marques de Melo, Rubem Cavalcante, José Cavalcante Barros, Luiz Guttemberg, de estilo bem arrumado que, de muito prestígio, foi transferido para o Rio de Janeiro, onde fez brilhante carreia; Bercelino Maia e Afrânio Melo, notabilizados pela militância política; Antônio Camelo da Costa que, indo para Recife, notabilizou-se no ?Diário de Pernambuco?, e Esmaragdo Marroquim, no ?Jornal do Commercio?, também no Recife; e Carvalho Veras com múltipla e brilhante atuação; e, sobretudo, Valdemar Cavalcante, que adquiriu renome nacional. Outros, com grande destaque, foram Genésio Carvalho. Ulysses Braga Junior, Valente de Lima em ?O Semeador?, Monsenhor Valente. E há também, o caso de Dênis Agra, periodista de fino trato e bravura política. Sem esquecer Lindalvo Lins, Josué Júnior, Zadir Cassele, Carivaldo Brandão e outros. Ainda, há o nome heróico de Donizeti Calheiros, de estilo ferino, direto e corajoso, que dizia a verdade sem meios-termos, tanto assim que foi vítima de estúpido espancamento a mando do então interventor do Estado. Como particularidade física, Donizeti, em conseqüência de acidente, teve uma perna amputada, tempos antes. Mesmo assim, desempenhava sua atividade com altivez e denodo, não se intimidando com a referida brutal e covarde agressão. Foi um exemplo de herói-jornalista. E o nome notabilizado de Freitas Neto. Em épocas posteriores, os irmãos Jambo (Arnoldo e Alberto), que marcaram época em suas atividades. E outros, que o autor destas linhas, por não ser da área, não gravou os nomes. Mesmo porque a intenção desta nota não é fazer, nem mesmo um esboço da história do jornalismo nas Alagoas, tarefa para os que, com suas inteligências, labutam no campo. É exigência da importância social dessa atividade profissional, conforme a exaltação de Leon Daudet: ?Não há profissão mais bela, mais interessante que a de jornalista.? Que se faça, pois, a historia dessa profissão em nossa terra. Se já foi feita, que se a divulgue mais à comunidade. Há interesse geral a respeito. A vetusta e ética Associação Alagoana de Impressa, sob a competente presidência de Laurentino Veiga, merece todo apoio para empreender essa tarefa. (*) É MÉDICO