loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Madre Valdel�cia

Ouvir
Compartilhar

DOM EDVALDO G. AMARAL * Na sexta-feira passada, 1o de agosto, pela Internet, graças à bondade da minha amiga, Ada Mello, da GAZETA DE ALAGOAS, aqui neste longínquo Japão, fui chocado com a notícia imprevista e dolorosa do falecimento, na quarta-feira, da madre Valdelícia Martins dos Santos, co-fundadora das Irmãs Teresinhas de Aracaju. Neste momento de sofrimento e dor para todas as Teresinhas, da ida para o Paraíso de sua co-fundadora, quero render-lhe minha homenagem de amigo e irmão. Falar de madre Valdelícia é falar da Sociedade de Santa Teresinha. Sua vida se confunde com a da Congregação, para a qual ela viveu e dedicou todas as suas energias até à morte, ocasionada exatamente pelo ardor missionário, que sonhava para suas filhas, na insalubre África. Mais que co-fundadora, madre Valdelícia era a alma, era o carisma, era a história viva de sua Congregação. A Sociedade de Santa Teresinha ? seu nome oficial ? fôra fundada pelo santo sacerdote, Pe. José Gumercindo dos Santos. Em Baturité, no Ceará, ele realizou um de seus grandes sonhos criadores: fundar uma congregação religiosa. Numa viagem homérica, em cima de um caminhão por vários dias pelo Sertão afora, através de quatro estados, Ceará, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, Pe. Gumercindo trouxe um pouco mais de uma dúzia de jovens cearenses até a cidade sergipana de Boquim, onde ele era pároco. Entre elas, se distinguia a jovem Valdelícia Martins da Silva, mal saída da adolescência, e logo constituída líder daquelas jovens generosas, que deixavam para trás uma vida tranqüila e segura, e se aventuravam num futuro incerto e duvidoso. A partir daí, a vida de Irmã Valdelícia se confunde com a própria vida da Congregação, que ela haveria de fundar com o padre fundador e uma companheira, Irmã Josete. Com o tempo e as dificuldades que os homens (também os da Igreja) põem, as Teresinhas se dividiram em duas congregações: as da Bahia, sob a direção imediata do fundador, Pe. Gumercindo, com sede em Tucano, e as de Sergipe, com sede em Boquim, sob a direção paterna e bondosa de D. José Vicente Távora, então bispo de Sergipe, tendo por superiora-geral madre Valdelícia. Tempos difíceis tiveram nesta época, com muito sofrimento. Quando bispo auxiliar, procurei ajudar as queridas Teresinhas de Sergipe, que tinham a casa generalícia em Aracaju, no Alto de S. Antônio. De férias em Natal, vim a conhecer precioso documento, escrito por D. José Távora, logo após o Concílio, sobre a atualização da estrutura canônica das Teresinhas, no espírito do Vaticano II. Era o que Deus queria delas. A primeira coisa que precisavam realizar era um Capítulo Geral, coisa que nunca haviam feito. Fiz um projeto e o Capítulo preparou novas constituições, aprovadas pelo arcebispo, Dom Luciano, por seis anos. Madre Valdelícia foi eleita superiora e depois, ainda teve seu mandato renovado. Depois, ficou como mestra das noviças, cargo que eu lhe dizia, era o mais importante na preparação do futuro da congregação, para o qual, mais do que ninguém, ela estava preparada. As Teresinhas tomaram, a partir de então, vida nova e novo entusiasmo. Tiveram uma casa no Piauí, além da Casa do Bispo, e depois outra em Maceió. Daí surgiram as vocações piauienses e alagoanas, para as nossas queridas Teresinhas, que tanto amo no Senhor e que tanto desejo ver sempre mais fortalecidas. S. Teresinha e S. João Bosco as protejam e guardem como seus especiais protetores. Lendo estas poucas linhas no Paraíso, espero que madre Valdelícia diga o mesmo que me disse no dia em que fui a Aracaju, para suas bodas de ouro de profissão religiosa, que se confundiam com o Jubileu de fundação de sua congregação: ?Isso é que ser amigo; amigo é assim!...? (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ, ORA EM VIAGEM MISSIONÁRIA NO JAPÃO

Relacionadas