Opinião
Vidra�as e esperan�as
Pronto. Apesar de várias vidraças vitimadas, deslanchou a marcha das reformas essenciais com a aprovação, no início da madrugada de ontem, da proposta de reforma previdenciária, a primeira das três alterações constitucionais prometidas pelo governo do presidente Lula. A votação, em primeiro turno, arrebanhou 358 votos a favor. 126 votaram contra, nove se abstiveram, 20 parlamentares faltaram. Um resultado memorável, em reforço da autoridade do governo Lula, reafirmando sua decisão de cumprir o polêmico compromisso das ?reformas indispensáveis?, para esperança de uns e desesperança de outros. As comemorações governamentais, porém, não devem ser muito extensas, pois os problemas estão longe de sumir. A começar pelo próprio PT, donde se anuncia o expurgo dos radicais (três de seus deputados votaram contra, oito se abstiveram), decisão que promete deixar cicatrizes (senão feridas perigosamente abertas) no tecido ideológico petista. Os resistentes estão encaminhando torpedos jurídicos contra a efetivação da reforma e novas mobilizações anunciam que a luta continua, apesar da indiscutível vitória e prova de força do governo federal nesse primeiro (e decisivo) embate. Lula e seus governistas não devem se antecipar nas comemorações pela perspectiva de vitórias futuras nesse cenário das ?reformas essenciais?, por outra questão basilar: das mudanças serão cobrados resultados práticos, visíveis e mensuráveis. De-senvolvimento, reaquecimento do emprego, investimentos sociais ? esses são alguns dos resultados esperados depois de tantas ?mudanças fundamentais?. No duplo governo de FHC, também ocorreram ?mudanças fundamentais?, sendo a mais visível delas a privatização em série. E, para o País, para o povo, nada mudou para melhor. Cadê a prometida aplicação social do dinheiro da venda das estatais? E em algumas áreas a alteração foi para pior, como no caso das telecomunicações. Comemorar é um direito dos vencedores. A grande questão a ser entendida, nesse caso, é que o governo Lula ainda não venceu a guerra; ganhou apenas uma primeira batalha.