Opinião
Press�o
MARCOS DAVI MELO * Maragogi, é o nosso paraíso. Coqueiral verde, mar plácido e morno. No horizonte, as galés esperando por um passeio de barco e um mergulho reconfortante na água transparente, entre peixes e arrecifes monumentais. Alagoanos e turistas a têm como Meca. Ultimamente, este cenário paradisíaco foi transformado pela presença agressiva do MST. A agitação observada no Litoral Norte não é um fato isolado. O Brasil como um todo vem sendo engolfado por um maremoto de reivindicações oriundas de múltiplos segmentos da coletividade. O governo Lula, com as expectativas criadas per si e pelas propaladas reformas, tem sido responsabilizado por estes estremecimentos. O MST, que sempre teve no PT um aliado em suas reivindicações (compreensíveis em um País imenso, com a associação explosiva de muita gente sem trabalho e muita terra disponível), é possuído por uma inquietante excitação com a chegada ao poder de seus antigos aliados e a possibilidade vislumbrada de resolver definitiva e rapidamente os seus problemas. O alegado apoio da Igreja Católica aos seus mais radicais movimentos de ocupação de terras e estradas - o que aqui, aparenta ser particularmente ameaçador para o turismo de Maragogi e para a sociedade como um todo - pode ser de difícil entendimento coletivo. Recorde-se todavia, que a Igreja tem facções diversas, umas comprometidas com interesses tão diversos quanto o repúdio ao casamento entre os homossexuais e, outras, com a posse da terra aos despossuídos. Seria mais fácil entender o envolvimento destes grupos agregados radicalmente aos desfavorecidos, se porventura se recorresse à intervenção de Santo Agostinho, um dos seus santos mais venerados. Partiu dele o dístico: ?A necessidade não tem lei?. A latere, outros movimentos reivindicatórios pululam. Não nos campos, mas no cenário mais ameno dos gabinetes e salões de Brasília. Os últimos passos da Reforma da Previdência, mostraram que embora o governo aferisse maioria, teve que negociar. Algumas categorias predominantes, que não se enquadrariam na assertiva de Agostinho, mas que desempenham papel decisivo no jogo das deliberações nacionais, mantiveram o primordial de suas reivindicações. Provavelmente, não criarão mais óbices ao governo. Recorde-se, ?an passant?, o tão aludido quanto desprezado: ?Não se deve ser juiz em causa própria.? Mas, uma coisa são os axiomas, a outra, a realidade, onde a maioria luta ferozmente por seus interesses e os de suas categorias. Moliere, em o ?Misantropo?, foi quem gritou: ?Tenho a justiça do meu lado e perco a questão!?. E, como todos sabemos, Moliere tinha como matéria-prima a sátira, o humor. Nada que se pareça com este momento da vida nacional. (*) É MÉDICO