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Opinião

O grande mal

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HUMBERTO MARTINS * A tendência é que aumente o consumo de drogas ilícitas no Brasil, que é o 2º maior consumidor da América do Sul. O primeiro é a Venezuela. O Brasil aparece em 9º lugar no consumo de cocaína. O líder é a Argentina, seguida do Chile e da Colômbia, principal exportador do entorpecente, com 72% da produção mundial. As estatísticas são recentemente divulgadas. Essa não é uma tendência mundial, porque o consumo na Europa e nos Estados Unidos está diminuindo, de acordo com o mesmo organismo. A comparação sugere que há algo de errado e (ou) omisso , na política de combate às drogas no Brasil. O combate ao uso de drogas em nosso País inclui a ação da Polícia Federal, das polícias estaduais e de outros organismos de menor importância, com medidas preventivas e repressivas. Como o lucro da atividade ilícita é colossal, freqüentemente, as autoridades estão em situação de inferioridade, em se tratando de armas e transportes. Tendo um amplo mercado interno e contratos internacionais a cumprir, os traficantes, organizados em poderosos bandos, usam os mais sofisticados equipamentos e armamentos, incluindo aviões e helicópteros. As maiores apreensões são a maconha e a cocaína. A maconha é produzida, em grande escala, no Nordeste e Norte, aproveitando-se os fora-da-lei da vastidão do território regional e da insuficiente infra-estrutura policial. São milhares de quilômetros sem uma delegacia de polícia, muitas vezes, sem um policial sequer. Através das vastas fronteiras terrestres e marítimas penetra, em grande escala, a maconha cultivada predominantemente no Paraguai, mas também em outros países que fazem fronteira com o Brasil. A cocaína, produzida em grande escala na Colômbia e na Bolívia, através do Brasil, é enviada em grande escala para os grandes mercados consumidores dos Estados Unidos e Europa. As apreensões que ocorrem, freqüentemente exibidas na TV são apenas parte da enorme quantidade de drogas movimentadas no País, parte das quais é consumida no mercado interno, para ser repassada para o exterior. De acordo com a Unode, 5,8% da população brasileira com mais de 15 anos usam maconha, 0,8% cocaína e 0,7% outro tipo de droga, as anfetaminas, que também ocupam espaço nesse mercado marginal. O exemplo mais clássico de que apenas repressão não resolve o problema das drogas é a denominada lei seca, que tentou, no início do século passado, que os norte-americanos não consumissem bebidas alcoólicas. Nunca lucraram tanto os grupos ilegais que produziam álcool de diversas composições ou importavam-no. Tantas décadas passadas e dispondo de modernos instrumentos de comunicação, os segmentos públicos e privados responsáveis pelo combate ao consumo de drogas não sabem ainda como fazê-lo com competência. O inimigo é poderoso e a batalha está sendo perdida comprometendo o presente e o futuro de milhões de indivíduos. O grande mal deve ser combatido sem tréguas, de maneira inteligente e eficaz. Os danos causados à juventude e à família são imensuráveis e justificam, plenamente, os investimentos maciços na qualificação de pessoal e armamentos, para reverter o quadro atual. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/AL

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