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Opinião

Desespero e esperan�a

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Enxotado, por parte de seus próprios correligionários, de um debate público (que seria) realizado em Maceió, o presidente nacional do PT, José Genoíno, protagonizou uma cena emblemática da balbúrdia política que se estabeleceu entre as lideranças ?de base?, militantes dos movimentos sociais, sindicalistas, ativistas de esquerda e os próceres petistas alinhados com as reformas do governo Lula. Confusão grande, centrada na controversa proposta de reforma previdenciária (porém não limitada à esse tema), as fissuras na ?base de massa? e entre as lideranças situadas na base política, que foi a histórica base eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva, poderão ter desdobramentos ainda mais complicados, caso não receba o tratamento adequado. Não adianta simplesmente tentar enquadrar, até porque a rebeldia foi o charme indiscreto cultivado longamente pela própria direção petista desde a sua formação. Nada do que está acontecendo pode ser considerado surpresa. Nesse caso, longe de ser uma forrobodó alagoano, a vozearia é nacional. Uma solução só será eficiente se pautada pela grande política, pois a recalcitrância foi gerada neste grande cenário. Não se trata, portanto, de um ou outro partido enquadrar seus militantes, mas do governo se enquadrar em (pelo menos) algumas das esperanças geradas em sua significativa base política e eleitoral. Remédios amargos são necessários, isso é indiscutível, mas também está fora de discussão que esses medicamentos travosos só têm sido aplicados nas mesmas goelas há dez anos, ininterruptamente. O governo está certo ao levar adiante os projetos de reformas, mas está equivocado ao não fazê-lo de forma a convencer ao distinto público que os resultados serão diferentes dos obtidos pelo seu antecessor. Quem votou no Lula acreditou que os rumos do País seriam mudados, que seria afrouxado (se não retirado) do pescoço o garrote vil do modelo FHC. Nada disso aconteceu ainda, daí muitos trocaram a esperança pelo desespero, amotinam-se, insurgem-se. Aos líderes governistas, particularmente aos ex-rebeldes, está colocada a responsbilidade do resgate da esperança, antes que a decepção a vença de vez.

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