Opinião
Pressa e imperfei��o
Diz popular ditado (nem sempre verdadeiro, risco de todos os ditados), que a pressa é inimiga da perfeição. As reformas previdenciária e tributária, porém, parecem confirmar a sentença. A pressa e o atropelo que tem marcado o encaminhamento dessas duas mudanças constitucionais dão asas às versões de que o modelo teria sido elaborado para atender as exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI) e demais credores do governo brasileiro. No rastro das propostas dessas reformulações (uma já em votação, outra pronta para ser votada) vão ficando mais dúvidas que certezas. São mesmo apropriadas? Quais serão mesmo os seus resultados? Sempre é bom lembrar que tal açodamento e imprecisões foram algumas das marcas das ?grandes mudanças? promovidas por FHC. É verdade que existe uma diferença: as reformas atuais não estão sendo alvo de denúncias de corrupção (como foi o processo privatizante do governo passado). No governo FHC, além das denúncias cabeludas, a ânsia em passar adiante o patrimônio nacional a todo custo tem mostrado seus resultados: tarifas incompatíveis com os rendimentos da população; deficiências nos serviços prestados; falta de investimentos acordados e, até mesmo, inadimplência no pagamento dos financiamentos públicos concedidos para a aquisição das empresas privatizadas. Com os alimentos transgênicos (geneticamente modificados), está ocorrendo a mesma coisa: tema muito polêmico, encaminhamento relâmpago. O governo está enviando ao congresso o projeto da Lei de Biossegurança, estabelecendo as normas para os alimentos geneticamente modificados, e para atiçar as desconfianças, essa proposta deve ser votada em regime de urgência (em no máximo 45 dias). Mas por que a pressa? É público e notório que nem dentro do governo existe consenso sobre essa polêmica questão, que movimenta um apaixonado debate em todo o mundo. Mas uma vez, o vaticínio popular parece que será confirmado e a azáfama multiplicará a polêmica, o descontentamento e alimentará as feras da desesperança e da desconfiança.