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Opinião

UM MUNDO SEM DEUS?

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DOM EDVALDO G. AMARAL * Numa galeria de arte de Praga, capital da República Checa, uma jovem, contemplando um quadro da crucifixão de Jesus, perguntou: ?Quem fez isso nele?? Ao que, o seu namorado respondeu: ?Foram os comunistas?... ?As pessoas aqui nada mais sabem sobre Deus?, afirma Olga Kopecka-Valeska, antiga apresentadora de uma rádio católica na Tchecoslováquia, hoje dividida em Eslováquia e República Checa. E continua Olga: ?Eles não sabem o que é o Natal e ficam perdidos num museu de arte, quando vêem uma pintura de Jesus Cristo?. Tal como a moça da pergunta inicial. Nesses dias, o ?Los Angeles Times?, reproduzido no jornal japonês ?The Daily Yomiuri?, estampava esta manchete espalhafatosa: ?Para os checos, hoje em dia, pouco sobrou de sagrado na vida cotidiana?. E explicava: ?Muitos neste país evitam uma religião institucionalizada. Com o comunismo e os vínculos forçados com a Igreja no passado, o futuro da fé está num talvez. Como a sua vizinha Polônia, onde catolicismo e nacionalismo são inseparáveis, assim também a República Checa nunca poderá esquecer sua identidade, toda feita em torno da Igreja. Os checos, diz o mesmo jornal, querem se manter à distância, quando se trata de assuntos religiosos, e muitos vêem o Catolicismo como um opressor dos séculos passados, que foi sufocado pelo comunismo e agora vem sendo diminuído pelos brinquedinhos (?baubles?) do capitalismo.? Um irmão marianista de Cleveland, Lawrence Cada, pesquisando a possibilidade de expandir a ação missionária de sua Congregação naquele país, afirmou que os checos estão hostis à religião, pelo que ela lhes fez no passado. Lembram João Huss, reitor da Universidade de Praga, que foi condenado à fogueira, em 6 de julho de 1415, como líder dos hussitas, que se revoltaram contra a Hierarquia Católica, exigindo entre outras coisas, ?o cálice aos leigos?, slogan que vem a ser a comunhão eucarística sob as duas espécies, hoje coisa tranqüila na praxe litúrgica da Igreja. Huss foi um precursor da reforma protestante e conta hoje com uns 100.000 sequazes, que querem ir à luta contra a Igreja Católica na República Checa. Os dados fornecidos pelo ?Los Angeles Times? informam-nos que apenas 33,6 % dos 10 milhões de checos pertencem hoje a uma Igreja institucional e apenas 11,7% participam de atos religiosos. A Igreja Católica conta com três milhões de fiéis e a mais próxima dela, a Igreja Evangélica dos Irmãos Checos, terá uns 200.00 seguidores. Na vizinha Polônia, os dados são bem diferentes. Perto de 96% dos poloneses pertencem a alguma religião e 78% participam dos atos sagrados. Já na Alemanha são 77% os adeptos de igrejas organizadas e desses, apenas 30% participam dos cultos. Na Áustria, são 88% e desses, 42,5% participam das funções religiosas de sua igreja. Na Eslováquia, vizinha e antiga unida à República Checa, as estatísticas dão 76,8% de inscritos nas igrejas, com 50% de praticantes, o que não é uma má participação. ?As igrejas têm de saber como se aproximar mais da vida diária das pessoas?, diz o porta-voz da Conferência Episcopal Checa, mons. Daniel Herman. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ, ORA EM VISITA AO JAPÃO

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