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Transposi��es

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que uma das prioridades do Plano Plurianual (2004-2007) será o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Idéia polêmica, encontra resistências técnicas e políticas desde que foi ventilada a possibilidade de sua realização. O orçamento, segundo o Ministério do Planejamento, é da ordem de US$ 5,5 bilhões. Algo faraônico, sem dúvida. O Rio São Francisco é a principal fonte geradora de energia do Nordeste. Nas últimas décadas sofreu um grave processo de degradação, passando a requerer um trabalho sólido de revitalização, pois o desaparecimento de dezenas de espécies, o assoreamento de vastas áreas e o desmatamento de suas margens, comprometem a sua sobrevivência. Para o presidente Lula, a chamada revitalização do Rio São Francisco passa pela transposição de suas águas para o semi-árido nordestino: ?Toda vez que se discute essa obra, alguns agem como se fossem donos do Rio São Francisco e não querem dar água para o outro. Outros dizem que é preciso saber por onde a água vai passar. E outros dizem, que é o discurso mais comum, que não tem dinheiro?. A ênfase dada à transposição do Rio São Francisco, como solução do problema da seca nordestina, demonstra que o presidente Lula, que durante a campanha presidencial tinha manifestado dúvidas sobre sua viabilidade, agora ? de repente ? ficou convencido da viabilidade dessa discutível obra. Apesar de reconhecer as dificuldades provocadas pelos custos estimados (US$ 5,5 bilhões não é brincadeira), o presidente afirmou que ?temos que antes discutir quanto custou, nesses últimos 160 anos, não fazer a transposição de águas do Rio São Francisco para o Nordeste brasileiro?. Bem, se for pelo dinheiro que não se tinha, inúmeras coisas poderão ser feitas a partir da simples vontade. Otimista, o presidente Lula assegurou que o Plano Plurianual do seu governo não será uma peça de ficção. Para colocar em prática o que está no PPA (a transposição do Rio São Francisco, inclusive), o governo terá que mudar sua política econômica, pois as metas ali contidas são incompatíveis com políticas econômicas restritivas, tipo superávit primário e juros elevados. Estarão a transpor balelas?

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