Opinião
Educa��o e sonho
Ontem, em declarações à imprensa, o ministro da Educação declarou que seria preciso acrescentar mais R$ 20 bilhões, por ano, ao orçamento daquele ministério ?para que o Brasil possa ter uma educação próxima do ideal. Cristovam Buarque reconheceu que ?no primeiro ano de governo chegar a esse montante necessário é difícil? e exibiu sua esperança: ?Mas em longo prazo é possível?. Poder-se-ia insistir na pergunta se o respeitável ministro tem, realmente, esperança de que essa cifra (ou algo aproximado) possa ser incrementado ao orçamento da Educação no Brasil. Mas talvez seja mais importante querer acreditar nessa chance. A cidadania poderia fazer um esforço sobre-humano nesse sentido e apostar num sonho desse tipo. Melhor mesmo talvez seja lembrar o finado Juruna e gravar, registrar bem registrado o dito e cobrar sempre, ir repetindo a cobrança até onde der. Daria certo? Da fala do ministro pode-se retirar uma verdade, um erro e uma esperança. A verdade é a necessidade de mais recursos para a educação pública no Brasil. O erro é considerar ?difícil? acrescentar R$ 20 bilhões no primeiro ano (ao orçamento do MEC). A esperança está em crer nessa possibilidade a longo prazo. Não é necessário se alongar muito sobre a premência de mais verbas para a educação pública no Brasil. As estatísticas estão aí para tirar qualquer dúvida. Acrescentar mais recursos neste ano (2003) pode ser uma piada; como colocar mais dinheiro com o governo federal aumentando o superávit primário? E sem falar nas complicações legais em função do Orçamento da União para 2003. Vamos então tentar salvar a esperança, para o bem de todos nós. Diz o ministro que a longo prazo seria possível alcançar mais R$ 20 bilhões (em valores atuais). Hoje, o investimento brasileiro em educação é de R$ 72 bilhões, envolvendo todas as esferas governamentais. À cidadania brasileira caberá cobrar insistentemente mais essa esperança. As chances são difíceis, pois como disse o presidente Lula, ?perde quem apostar contra o Palocci?. Cristovam vai encarar? E o homem forte da economia continua defensor inflexível da cartilha do FMI. Que é exatamente o oposto da cartilha do ABC. Intangível, diáfana, essa esperança ? para se materializar ? vai requerer muita luta.