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Nº 5714
Opinião

Reflex�o

Amélia Fernandes Costa * Recurso natural, essencial à vida, patrimônio do planeta e elemento de sobrevivência humana, a água, através dos tempos, vem perdendo o seu caráter de bem inesgotável e se transformando em recurso limitado. Avançados instrumentos

Por | Edição do dia 23/03/2002 - Matéria atualizada em 23/03/2002 às 00h00

Amélia Fernandes Costa * Recurso natural, essencial à vida, patrimônio do planeta e elemento de sobrevivência humana, a água, através dos tempos, vem perdendo o seu caráter de bem inesgotável e se transformando em recurso limitado. Avançados instrumentos de medição indicam que os danos ambientais provocados pelo mau uso dos recursos naturais e pela depredação humana estão contaminando e escasseando a água potável de maneira quase irreversível. Dados da 1ª Conferência Internacional sobre água, realizada em 1992, na Irlanda, apontam que a disponibilidade de água por habitante foi reduzida em 60% nos últimos 50 anos, enquanto a população do planeta cresceu 50%. A ONU (Organização das Nações Unidas), instituiu em 1992, o 22 de Março como o Dia Mundial da Água, com o objetivo de sensibilizar os 185 países-membro dessa organização, a explorar de maneira mais racional os recursos hídricos, e alerta, que nos próximos 25 anos a crise de abastecimento de água envolverá em média 55 nações, atingindo 2,8 bilhões de pessoas, principalmente das camadas mais pobres. Atualmente, 21 nações já sofrem com a escassez da água e 70 regiões do globo estão em violento conflito pelo controle da água potável. Isso significa que o mundo está prestes a enfrentar uma crise internacional em torno da água. As pessoas matarão por água, farão guerra por água, fatos que fugirão do aspecto meramente político e econômico e assumirão um fator de sobrevivência. Cada vez mais desprezada, desperdiçada e poluída, a água atinge hoje um nível perigoso para a saúde pública, pois, segundo a ONU, em cada 8 segundos morre uma criança no mundo, por causa de água contaminada, enquanto 80% das doenças que afetam a população são causadas pela precariedade do saneamento básico. O Brasil detém 12% da água potável do planeta, mas 80% de suas reservas naturais localiza-se em regiões ocupadas por apenas 5% de nossa população, é o caso da Amazônia, que por ser um dos maiores mananciais de água doce do planeta, já desperta o interesse de outros países. O princípio da internacionalização das bacias e a perversa política de privatização da água demonstram a sede pelo lucro em detrimento da vida humana, constituindo um perigo iminente, à medida que os governos e o capital estrangeiro estão encarando a água como fonte de lucro e não como fonte de vida. Segundo estimativas, para solucionar o problema da escassez e da poluição da água no mundo, seria necessário um investimento na ordem de 600 a 800 bilhões de dólares durante os próximos 10 anos. O Brasil precisa de 47 bilhões de reais para resolver o problema de saneamento no País, mas não investe nem 500 milhões de reais por ano. Ao invés disso, o governo federal vem retirando recursos que financiavam o setor (FGTS, BNDES, etc), ocasionando o sucateamento das empresas públicas, para tentar convencer a sociedade da necessidade de privatizar. Enquanto isso, só de juros da dívida pública o Brasil paga R$ 40 bilhões mensais. Mesmo diante das conseqüências maléficas das privatizações, a exemplo dos setores de telefonia e energia, o governo de FHC se empenha em transferir o serviço público de água e esgoto para a iniciativa privada, mais especificamente para o capital estrangeiro. (*) é diretora do Sindicato dos Urbanitários.

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