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Trope�o dos juros

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Surpresa! O juro básico da economia brasileira foi reduzido em 2,5%. A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deu um susto positivo no público ansioso por melhores condições investimentos produtivos. Com a medida adotada ontem, a taxa Selic cai de 24,5% para 22% ao ano, constituindo-se na menor marca dessa taxa desde outubro de 2002. Segundo os especialistas, essa é a maior redução de juros feita de uma só vez pelo Copom desde maio de 1999. Naquele ano, a Selic foi reduzida de 27% para 23,5%, no ápice de uma crise de desvalorização do real. A surpresa foi festejada com entusiasmo. Até a CUT arriscou palpites exultantes e muitos analistas garantem que a medida representa uma mudança na ?política de gradualismo? até então adotada e mantida a ferro e fogo pelo Banco Central desde o início do governo Lula. A queda dos juros faz reduz a força de atração do investimento em títulos da dívida pública, o que deverá proporcionar uma sobra de recursos no mercado financeiro que podem ser carreados para outras aplicações, inclusive na área produtiva. O festejo em torno dessa redução da taxa de juro, portanto, reflete uma esperança ? a de que esse rebaixamento represente uma elevação do investimento produtivo, estimulando a retomada do desenvolvimento. É certo que essa é uma tendência. Mas ainda não é uma evidência. Muito ainda resta a fazer para que se possa dizer que o País está ingressando na senda de uma política estratégica desenvolvimentista. Ainda há muitas pedras no meio do caminho. A redução dos juros é uma medida positiva, mas tem de ser acompanhada de outras medidas mais ousadas ainda para que possa ter repercussões mais aproximadas da grande esperança brasileira, a via do desenvolvimento. Um desses obstáculos a enfrentar é o superávit primário. Esse é ainda mais definidor para o crescimento da atividade produtiva e requererá muito mais decisão e segurança por parte do governo. Que seja comemorada a redução do juro básico e que esse fato seja estimulador para o aumento da pressão da cidadania por uma verdadeira política de desenvolvimento para o Brasil.

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