Opinião
Tradi��o renovada
MARCOS DAVI MELO * Uma das revistas de circulação nacional trouxe uma matéria tão interessante quanto motivadora de invejas. A tradição do empresariado norte-americano de contribuir filantropicamente para grandes instituições de ensino superior e de assistência médica daquele país. Entre elas, a Universidade John Harvard, a mais consagrada. Em Alagoas, na segunda metade do século passado ? quando o Estado era ainda menos desenvolvido e sua elite empresarial ainda mais reduzida ? nós também tivemos esta prática. Naquela época, o grande catalisador deste envolvimento dos empresários foi o doutor Ib Gatto Falcão, que, munido de projetos tão oportunos quanto viáveis, aliados à sua grande liderança, conseguiu concretizar a maioria deles, como os pioneiros do Hospital de Câncer e Serviço de Radioterapia, ambos alocados à Santa Casa de Misericórdia de Maceió. Original daquela época, 1947, e exposta em local de grande circulação (o exterior do atual serviço de radioterapia), existe uma placa de madeira de lei, conservada com carinho, onde se registram a inauguração e os nomes dos benfeitores de então: Mário Lobo, Carlos Nogueira, Humberto Paiva, Carnaúba, Peixoto, Piatti, Alfredo Carvalho, Leão Irmãos, Flávio Luz. Esta participação solidária do empresariado, que passou algum tempo adormecida, entretanto não está morta. Constatamos isto na prática de uns dois anos para cá. Um grupo de empresários, conectados à realidade globalizada e dispostos a colaborar com propostas sérias e conseqüentes, mostrou que também sabe fazer o seu balanço social. Desta forma, conseguimos não só os recursos para iniciar as instalações dos equipamentos de radioterapia de última geração, que já estão funcionando na Santa Casa de Maceió desde maio deste ano, atendendo diariamente a mais de 120 pacientes com câncer, 95% das quais usuários do SUS; como esta semana, apoiados pelo mesmo grupo de empresários, foi dado mais um grande passo nesta profícua associação. Foi lançada a pedra fundamental da futura Casa de Apoio Lenita Quintella Vilela, destinada a abrigar pacientes carentes com câncer do interior do Estado e que precisam permanecer em Maceió por 7 a 8 semanas seguidas para fazer o seu tratamento. Como o número destes pacientes é grande, muitos ficam internados, entre eles os mais graves e outros vem e voltam diariamente de seus municípios. Para os menos graves, a casa de apoio trará inúmeras vantagens. Um ambiente mais ameno e humanizado, onde terão espaços livres e verdes para atividades recreativas, algo mais parecido com o seu lar, reduzindo o impacto da separação do seu habitat. Coordenado pelas voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer e com o apoio dos empresários aglutinados por José Aprígio Vilela, a grande liderança atual (que com solidariedade e credibilidade tem superado as conhecidas dificuldades da nossa região), a casa de apoio será de grande valia para a comunidade carente. (*) É MÉDICO