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Mestres do Lyceu

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GILBERTO DE MACEDO * Trata-se do Lyceu Alagoano, colégio público tradicional dedicado ao curso ginasial, dito segundo grau, e que, no presente referencial, funcionava na Rua do Livramento. Falar de mestres do Lyceu Alagoano da época de então é dizer da cultura erudita de Alagoas, em sua melhor representatividade. Embora se trate no presente de um breve esboço histórico-cultural, permite uma idéia aproximada de sua importância pedagógica na formação da juventude do referido período social. É só aqui um rápido comentário respeito. Mestres autênticos, pelas atitudes e pelos conhecimentos. Por isso, mantêm-se conservados na gratidão dos que usufruíram as suas lições. Porque contribuíram para o êxito dos seus alunos nos diversos vestibulares para as várias profissões nas universidades situadas nos centros mais adiantados do país. É merecido exaltá-los. Mestre é todo aquele responsável pelo processo ensino-aprendizagem. Um processo complexo e inseparável, da razão mesma de se dizê-lo ensino-aprendizagem. Ensinar apenas não seria completo, mas ensinar para aprender. Há, pois, que se considerar o que, e como ensinar, e acompanhar a aprendizagem. Não bastam os conhecimentos expostos pelo professor, sim que os mesmos sejam assimilados pelos alunos. Saber porque foram e porque não foram assimilados. É da responsabilidade pedagógica, aproximar-se do aprendiz. Ensinar é transmitir a palavra da verdade, e que como tal seja aceita. Aprender é uma participação. Não é ato passivo, mas produto da reflexão do aluno, na auto-interrogação silenciosa, a respeito do que ouviu e do que leu. Perguntar-se: verdade, por quê? Daí a importância fundamental do diálogo mestre-discípulo. Por isso mesmo, Goethe já dizia: ?Só se aprende de quem se ama?. Não poder fazer perguntas, seja pela impostura do projetor de ?slides?, seja, mais gravemente, pela ?surdez? da internet, constitui grande mal da falsa pedagogia tecnocrática. É que se faz indispensável a mentalidade crítica no professor e no aluno. Crítica enquanto atitude voltada para o entendimento a respeito do assunto em tela, jamais como censura. Discípulo é o que deseja aprender e acredita no mestre. No caso, desejo como impulso mental que dirige o pensamento em busca da verdade, e estimula a inteligência para a construção do conhecimento. Não é simples esforço de memorização. Elsner teve oportunidade de dizer: ?O mestre que não sabe se deixar ultrapassar por um aluno é um mestre ruim?. Um aluno autêntico que, no curso do tempo, através de novas aprendizagens, acresce o conhecimento recebido do mestre. É contingência do progresso. Conhecimento sobre o conhecimento. Afinal, o mestre é o iniciador; o discípulo, o continuador. Laço intelectual. Assim, vejamos os mestres do Lyceu Alagoano, há cerca de pouco mais de meio século, distribuídos em turmas de cada série, em determinadas matérias de ensino: Português ? padre Adelmo Machado, escritor Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, e o padre Sizenando; Matemática ? Guedes de Miranda, jurista que dissertava sobre os princípios fundamentais da Aritmética, os engenheiros Fernando Oiticica e Manoel Viana de Vasconcelos, e professor Mario Broad; História ? Jayme d?Altavilla; Geografia ? o médico, escritor e pesquisador Abelardo Duarte; História natural - o médico cientista José Lages Filho; Física ? Moacyr Pereira, de metodologia rigorosa; Química ? Santa Rita, João Fireman, Deraldo Campos, Ebidene Travassos; Latim ? padre Tobias Costa; Inglês ? Pedro Lima, Rosalvo Lobo; Francês ? Jaques Azevedo e Paul Scnouillet; Alemão ? Lauro Costa; Educação Física ? José Floriano Peixoto Filho; Arte Musical ? Professora Elvira (de sobrenome esquecido). Fazer a biografia dos mesmos será trabalho meritório de algum estudioso. Engrandecerá, por certo, a cultura alagoana. (*) É MÉDICO

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