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ARTIGO

A Nova Idade Média

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Da convivência entre os homens à sua relação com a própria realidade, vivemos uma época em que as trevas se mostram tão presentes no mundo contemporâneo quanto no período mais medonho da História, a Idade Média. Entretanto, o homem moderno parece negligenciar esse fato – ou porque não acha isso significativamente importante ou porque nunca aprendeu a lição de verdade. Diariamente, se vê exemplos de como o ser humano demonstra sua relação com a vida (?!): “Pai mata ao filho recém-nascido por vingança à ex-mulher”, “Homem esquarteja companheira por achar que ela o traía”, “Adolescente esconde gestação da família e aborta para não ser expulsa de casa” ou “Malucos entram armados em escola onde estudaram e chacinam ex-colegas, professores e funcionários da instituição”.

Essas notícias me remetem ao período mais “infeliz” da Humanidade, a já mencionada Idade Média. Época em que a fome, a miséria e as guerras eram uma constante, por todo aquele período prevaleceu a lei do vale-tudo. Homens sem piedade, sem laços familiares e sem regras sociais (sem qualquer tipo de padrão ético) se uniam em bandos para a intensificação de assassinatos, roubos e saques. Os bárbaros, como se chamavam, quando queriam sexo, estupravam; ao desejarem uma propriedade, matavam o dono dela, apoderando-se de suas riquezas; se precisassem de comida, roubavam-na. Simples assim! Depois de a Humanidade chegar ao fundo do poço, naquele período medieval, os homens renasceram para os verdadeiros valores da vida, por isso a História deu a esse “recomeço” o nome de Renascença. A História, assim como a vida, é formada por períodos, alguns bons e outros ruins. São ciclos importantes com detalhes para os quais devemos atentar. Hoje, por exemplo, vivemos num caos em que o nome mais apropriado ao momento seria a Nova Idade Média. Só mesmo com esse nome definiríamos a barbárie vista por toda parte. Na ausência de uma palavra mais apropriada, essa cai como uma luva, tal a desgraça em que estamos atolados.

A desumanidade, a falta de apego espiritual, a própria desvalorização da vida, a brutalidade com que os homens se tratam ou a indiferença ao bem-estar alheio são alguns dos aspectos “medievais” do mundo moderno. A questão é: a roda da História girou e o fundo do poço, já há muito, se apresenta. Quando nos chegará a Nova Renascença? Em que instante tomaremos alguma atitude perante a demência social, as injustiças do homem ou os delírios espirituais aos quais as pessoas se prenderam para a sua sobrevivência nesses tempos modernos? Por quanto tempo ainda suportaremos, com certa naturalidade, as loucuras dos irracionais? O mundo roga por uma data para que possa renascer das cinzas. Não deixemos morrer o que existe de mais precioso no homem: o espírito. Ao se deixar o instinto prevalecer sobre a alma, o homem não passa de um animal. Por mais bonito que seja colocar as virtudes nas artes, se não as colocarmos na vida, no labor de todos os dias, não estaremos fazendo a coisa certa. Saiamos das trevas, entremos agora na Nova Renascença.

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