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EDITORIAL

TEMPO DE REFLETIR

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Ontem à noite, em todo o mundo, famílias degustaram uma deliciosa ceia, trocando presentes, confraternizando, enfim. É a comemoração do Natal, festa que, para os cristãos, significa a celebração da encarnação de Deus na história humana. Embora seja improvável que Jesus tenha nascido no dia 25 de dezembro, a data se firmou de vez a partir do século IV.

Mesmo para quem não professa a fé cristã, porém, o período de Natal tem sido ou deveria ser uma época propícia para a celebração familiar e entre amigos, momento de reflexão, paz, tolerância, solidariedade, altruísmo. Entretanto, na prática, muitas vezes parece que tudo não passa de mero formalismo, pois, passado esse período, tudo volta a ser o que era, sem sinal de que houve alguma mudança. A exclusão social, o preconceito sob todas as formas, a violência e outras manifestações negativas na vida social estão aí para provar. Hoje, mais do que nunca, é preciso retomar o verdadeiro espírito de Natal. Nos últimos anos, o Brasil foi tomado pela intolerância. Parece haver dificuldade de aceitar que outras pessoas pensem diferente sobre determinados assuntos. As discussões políticas foram reduzidas a uma briga de torcidas. Boatos, calúnias e difamações circulam livremente pelo ciberespaço. Promover o “linchamento moral” virou esporte para muita gente. O baixo nível também chega às altas esferas. O clima eleitoral do ano passado ainda não se dissipou. Enquanto isso, os problemas do País se agravam. No resto do mundo, assiste-se ao crescimento do radicalismo religioso, muitas vezes traduzidos em violência e até atos terroristas. Milhões de cidadãos estão sendo obrigados a deixar seus países e procurar abrigo em locais onde possam pelo menos viver sem a ameaça de bombardeios. Entretanto, além de todas as dificuldades enfrentadas no processo migratório, ainda precisam vencer a desconfiança e a falta de solidariedade em outros países. É preciso, pois, que esse espírito de Natal, tão decantado nos comerciais de TV, tão divulgado nas redes sociais, se transforme em ações concretas, não apenas neste período de final de ano, mas seja uma prática cotidiana.

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