Opinião
Velhas encrencas
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Ano novo, vida nova. Eis o sentimento que, em regra, domina o íntimo das pessoas. É o encerramento de uma etapa, o porvir em outra jornada, alimentando a esperança de que a virada do tempo chega para promover mudança positiva. Retomam-se planos e motivações em todos os aspectos da vida.
Na esfera pública, entretanto, há sempre uma agenda que não dá para ‘passar a régua’, como se fosse possível esquecer e, assim, o reflexo do mal deixasse de existir ou nenhum comprometimento gerasse na vida coletiva, a partir do alvorecer de um novo ano. É o que ocorre na gestão governamental, onde os malfeitos permanecem fustigando o bolso e o cotidiano do cidadão, até que os órgãos de fiscalização e controle reparem e punam, à letra da lei, os atos cometidos por malfeitores. O governo Renan Filho, por exemplo, não exorcizou as práticas nocivas ao erário. Elas seguem rondando a vida real do poder, gerando indignação nos que acreditavam na alardeada transparência e eficiência administrativa. Ou será que devemos empurrar para debaixo do tapete o desperdício de mais de R$ 600 mil na “reforma” do Hemocentro de Arapiraca - obra abandonada por inadequação? E quem vai pagar a conta pelo fato de o governo do Estado ter devolvido à União R$ 18, 2 milhões, que seriam aplicados na recuperação de escolas e na formação continuada de professores? E os R$ 2,5 milhões para o Esporte do Estado, e que retornaram aos cofres do governo federal? E a cifra milionária de R$ 80 milhões, alocada para promoção de imagem, em detrimento de áreas ligadas ao Trabalho, Agricultura e Assistência Social? E o que dizer sobre os crimes graves nas áreas da Educação e Saúde, e que estão sendo desbaratados pela Polícia Federal? E do abandono da agricultura familiar? Da falta de política efetiva para gerar empregos e conter a extrema pobreza no Estado? A estratégia do silêncio não dissipa delitos e prejuízos contra o erário e o desenvolvimento do Estado. No curso do novo ano, a cidadania alagoana haverá de prosseguir cobrando explicações às autoridades e punição aos criminosos. Para o bem de todos.