Opinião
O pr�mio do museu
BRÁULIO LEITE JR. * Centenas de pessoas estavam presentes nas dependências iluminadas do belo Museu Théo Brandão quando na noite do dia 21, quinta-feira passada, foi assinado o convênio entre a Universidade Federal de Alagoas e os representantes da família Pontes Leite, instituindo o Prêmio Anual Guilherme de Pontes Leite, destinado a conferir ao mais destacado ?Artesão do Ano?, importância em dinheiro e diploma correspondente. Esse documento é para nós de muito significado e emoção, e para a comunidade, com certeza, uma decisão que há muito se fazia necessária como incentivo àqueles que fazem a vida artesanal alagoana. O indispensável apoio das autoridades universitárias ao projeto, ressalva a clarividência e mérito social do magnífico reitor Rogério Pinheiro, e da diretora Carmem Lúcia Dantas, e evidência a preocupação desses educadores em criar ambiente mais justo e condizente às atividades artesanais daqueles que, mesmo sem cursos nem certificados, trazem do berço a vocação com que Deus lhes brindou os espíritos. Em Alagoas, todos sabem o quanto é difícil, para um artista popular, alcançar um lugar na galeria dos reconhecidos êmulos das manifestações artísticas e literárias. Sem o devido incentivo e necessário respeito a sua arte, geralmente esses vocacionados não conseguem percorrer o seu natural caminho nem cumprir seus destinos. Enveredam por ínvios atalhos e indesejados vícios e costumes, perdendo a sociedade um autêntico valor e o próprio ser humano sua justa identidade. Infelizmente, quase sempre isso acontece. Durante a solenidade, usaram da palavra o reitor Rogério Pinheiro, a museóloga Carmem Lúcia Dantas, e a mãe do homenageado, sra. Edna Pontes Leite, que fizeram referências às intenções e objetivos do ato, seu alcance social, seu ineditismo na área artesanal e resgate da memória do jovem artista e produtor cultural barbaramente trucidado há um ano, sem que até hoje se saiba quais os autores de sua morte. Entre os presentes, pediu a palavra o jornalista e acadêmico da Maceioense de Letras, Cavalcante Barros, que informou ser também Gustavo de Pontes Leite o patrono do Prêmio Anual da AML, para o concurso de textos teatrais daquela agremiação literária. O presidente do Sebrae Alagoas, general Nilton Rodrigues, também falou sobre o trabalho de Gustavo junto à entidade que dirige, exaltando, além disso, seus laços de amizade com a família do homenageado. Luiz Nogueira, da Academia Alagoana de Letras, representado o presidente Ib Gatto Falcão, traçou breve perfil de Gustavo, afirmando que também falava eu seu próprio nome, como amigo da família. Daí porque estamos felizes, porquanto conscientes em elaborar de alguma forma, mesmo nos sobrepondo à tristeza que sentimos, quando lembramos a definitiva ausência do homenageado. Seja o que Deus quiser. Pelo menos, a cada prêmio em seu nome concedido, sua memória estará sendo resgatada, oferecendo aos antigos ou novos valores que possam surgir no cenário popular em nosso Estado, uma merecida oportunidade de afirmação e vitórias. E era isso o que ele mais desejava. (*) É TEATRÓLOGO