Opinião
Exclus�o latina
A Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal, órgão vinculado à ONU) divulgou um relatório sobre a situação econômica e social dessa região (na qual se insere nosso Brasil). O quadro é alarmante: no ano passado, 220 milhões de pessoas viviam abaixo da linha de pobreza e neste 2003, a instituição estima que mais cinco milhões de pessoas serão acrescentadas a esta estatística. A aplicação de políticas recomendadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em troca de empréstimos para os países da América Latina provocou uma estagnação econômica generalizada. Segundo a Cepal, os últimos seis anos foram perdidos para a região, pois o crescimento do PIB foi incapaz de acompanhar a taxa de crescimento populacional. Uma das relações mais óbvias, a existente entre desenvolvimento econômico e diminuição da pobreza, parece ter sido esquecida por boa parte dos intelectuais, técnicos e governantes que participam da elaboração dos projetos e acordos com o FMI, pois é desconhecido qual dessas figuras importantes teria peitado (pelo menos teoricamente) esses bancos para lembrar essa velha máxima. Em todos os países cujos governos se vincularam ao FMI, a manutenção de uma política econômica voltada para o cumprimento dos compromissos externos ? leia-se, empréstimos e investimentos de curto prazo ? impede o crescimento econômico em níveis necessários para a região e compromete a qualidade de vida da população. No Brasil, a adoção do receituário do FMI levou o País à beira da bancarrota em três ocasiões recentes, das quais foi ?salvo? por novos empréstimos concedidos pelo fundo: às vésperas da reeleição de FHC (US$ 45 bilhões), em 2001 (US$ 16 bilhões) e em setembro de 2002 (US$ 30 bilhões). Em troca, o País se comprometeu a seguir fielmente a ortodoxia econômica preconizada pela instituição, cujos resultados se assemelham ao usuário que não consegue sobreviver sem a utilização do empréstimo do cheque especial. Num momento de grande descrédito internacional, a ONU poderia (baseando-se na própria Cepal) emitir alguma resolução condenando essa política usurária e concitando a realização de acordos menos danosos.