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ARTIGO

Quando os meios justificam os fins: coisas de humanos!

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Na medida em que os anos vão avançando, e vamos amadurecendo, passamos a refletir, com mais acuidade, acerca da nossa função neste Planeta. Afinal para que viemos para cá? Viemos apenas para procriar, acumular riquezas, buscar nos destacar como poderosos? Buscar atingir objetivos usando quaisquer meios, ainda que para isso possamos cometer injustiças e provocar sofrimentos em terceiros? Seria tudo tão simples e fugaz assim? Quero dar um voto de credulidade pra nós, mas é difícil!

A Natureza foi criada com muita sabedoria. Nada está colocado neste belo Planeta por acaso. Tudo nela tem razões de ser e tem uma função bem definida.. Nós, seres humanos, não seríamos colocados nesse grande projeto para tão pouco. Avalio, eu. Os vegetais, de todos os portes, por exemplo, têm um portfólio de responsabilidades, que eles assumem “voluntariamente”. Uma das mais importantes é a de prover o oxigênio, necessário para a maioria dos seres vivos que existem no Planeta. Através da fotossíntese, são os únicos seres capazes de operarem o milagre da vida na Terra. Mas além desta função, os vegetais formam o manto verdejante sobre o nosso Planeta. Produzem frutos que alimentam diferentes espécies animais, inclusive os humanos. Exaurem beleza através do verde que espraiam e das suas flores, de várias cores e tons. Muitas dessas flores não se contentam apenas em ser belas. Emitem aromas que contagiam outros sentidos, além do olfato e da visão. Atraem pássaros, abelhas, que se deliciam com o que retiram dali. E isso não é uma relação de parasitismo, mas de sinergismo como eu escrevi em um dos meus textos de jornal: “Vegetais e animais fazem uma espécie de pacto. Aqueles fornecem cores, formas, aromas e sabores para os atraírem.

Estes se deliciam e, ‘cooptados’, retribuem ajudando na sua multiplicação. Pode existir cumplicidade mais perfeita?” Os Oceanos têm funções fundamentais no equilíbrio sinérgico que se processa no nesse Mundo. Estão sob as suas águas as maiores fontes de oxigênio da Terra. Ai está, de fato, o “pulmão” do Planeta. Não é por acaso que ocupam a maior parte da superfície terrestre. Juntamente com os rios, lagos, lagoas, entre outras fontes, ocupam aproximadamente 70% da superfície da Terra. Guilherme Arantes captou essa informação e a transformou numa das suas mais belas composições, e talvez uma das músicas brasileiras mais bonitas produzidas no Século passado: “Planeta Água”. São os movimentos das marés, devidamente influenciados por vários elementos, as fases da lua são alguns deles, que fazem com que os ventos aconteçam e que tornam mais amenas as temperaturas no Planeta, sobretudo nas áreas mais tropicais. A evaporação das águas dos oceanos vira nuvens que são deslocadas pelos ventos, se difundem em diferentes locais, condensam, se transformam em chuvas que caem em queda livre sobre a superfície da Terra. Recarregam os aqüíferos de superfícies e subterrâneos, irrigam a vegetação, e ajudam a reciclar a vida. Tudo sincronizado. E nós, os seres humanos, que papel temos em toda essa cadeia sinérgica?

Do estágio primitivo em que vivíamos no começo de tudo, avançamos para a domesticação de animais e plantas. Trazendo-os para perto de nós. Isto facilitou a nossa vida, mas também contribuiu para nos transformar nos maiores depredadores do Planeta. Nós, que nos jactamos de sermos os seres mais inteligentes, cometemos atrocidades que não se observa no mais feroz dos animais silvestres. Usamos “Armas, Germes e Aços”, (titulo do excelente livro de Jared Diamond), para cometer atos atrozes contra outros animais, destruir florestas, e subjugar outros seres humanos. Em casos extremos há os que “matam por amor”, e até em nome de Deus, como se isso fosse possível. Não aprendemos com a sabedoria dos rios que, na busca do seu objetivo que é alcançar o Oceano que estiver mais próximo que ele, rio, “sabe” aonde se encontra, serpenteia obstáculos de forma paciente. No seu caminho tortuoso, mas célere e firme em busca do que quer alcançar, fomenta beleza no seu entorno, viabiliza o surgimento e a proliferação de vidas animais e vegetais. Consegue transformar a sua “saga” em sequencia e profusão de cores, sons, aromas, todos agradáveis para os demais seres que tiverem o privilégio de apreciar ao menos uma pequena parte dessa trajetória. O rio não tem a menor cerimônia em despencar de altitudes, quando isso é necessário para chegar ao seu objetivo. Ele “sabe” que qualquer outra forma de seguir o seu caminho rumo ao objetivo irá provocar estragos em outros lugares, em outros seres.

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“Prefere” ir para o sacrifício não buscando atalhos e, ao fazer assim, nos contempla com alguns dos mais belos espetáculos da natureza. As Cachoeiras são algumas dessas belezas produzidas pelos rios na sua lide de alcançar os seus objetivos. Nós os humanos temos pressa demais para agir como os rios. Somos arrogantes e apressados demais para serpentear dificuldades, sair na frente de cabeça erguida e conseguir as nossas conquistas, sem deixar rastros de maledicências. Vamos criando atalhos na nossa trajetória. Temos pressa demais em “chegar lá”. Usamos a técnica do Vale Tudo para conquistar nossos objetivos, que às vezes não são tão nobres. Ainda que fossem. Difamar, caluniar, colocar nos outros os defeitos que são nossos, são algumas das nossas “armas, germes e aços”. Quando acreditamos que alguém é obstáculo para alcançar os nossos objetivos da forma que desejamos, não hesitaremos em lhe difamar, caluniar, impor-lhe defeitos que a nossa mente fértil produz. Às vezes conseguimos o que queríamos partindo da máxima de que os meios justificam os fins. Mas será que vale a pena?

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