EDITORIAL
TENSÃO E AUTOCONTROLE
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A morte de um oficial de alta patente do Irã numa ação militar dos Estados Unidos no Iraque, no final de semana, colocou mais combustível na delicada relação entre os dois países. O governo americano argumenta que o general Soleimani era um terrorista estava planejando ataques contra diplomatas e militares do país. Já o governo iraniano classifica o ataque como ato de terrorismo internacional dos Estados Unidos.
A comunidade internacional vem insistindo que os EUA e o Irã exercitem seu autocontrole, após a promessa de vingança por parte de Teerã a respeito do assassinato do alto comandante militar iraniano. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, insiste que líderes exercitem controle máximo, sem citar especificamente os Estados Unidos ou o Irã. Para analistas, as consequências de longo prazo do aumento das tensões entre EUA e Irã vão depender em grande parte da resposta do país persa ao ataque e da intensidade de qualquer conflito que venha a seguir. A tensão na região envolve interesses não só de americanos e iranianos, e outros fatores, como o petróleo e a religião, também contribuem para impasses entre países.
Enquanto isso, o mundo acompanha de perto as reações do Irã e as novas ameaças do presidente Donald Trump. Nos últimos dias, a frase "Terceira Guerra Mundial" se tornou um dos termos mais buscados na internet no mundo todo. Analistas dizem que não chegará a tanto, mas pode ser o início de um ciclo de ação e reação com potencial para um confronto direto entre os dois países. Muitos também atribuem a decisão de Trump de autorizar o ataque contra a liderança iraniana como uma estratégia política. Envolvido em um processo de impeachment em tramitação no Senado e às vésperas das eleições presidenciais, o presidente americano teria buscado um elemento de política externa para usar internamente. De qualquer forma o mundo espera que o conflito não descambe para uma crise ainda maior, que teria consequências imprevisíveis para o resto do mundo.