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EDITORIAL

FALTA DE INFORMAÇÃO

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O número de grávidas com HIV no Brasil vem crescendo desde 2008, de acordo com os últimos dados do Boletim Epidemiológico de HIV/Aids divulgados pelo Ministério da Saúde. Em 2008, foram registradas 6,7 mil gestantes com HIV, o que representava 2,1 casos para cada 1 mil nascidos vivos. Em 2018, esse número passou para 8,6 mil, o equivalente a 2,9 casos a cada 1 mil pessoas.

Enquanto o número de casos notificados de aids, que é a síndrome causada por este vírus, cai entre a população em geral, desde 2014, em todo o Brasil, o número de gestantes com HIV aumentou quase 37% nos últimos dez anos. Na década de 1980, com o pipocar dos casos de Aids em todo o mundo, a população, assustadas, precisou discutir abertamente assuntos como fidelidade, comportamentos sexuais, drogas, transfusão de sangue, e tomar atitudes de precaução contra o mal que destruía famosos e anônimos. Com o passar dos anos, as discussões foram perdendo o destaque, em parte pelo surgimento de drogas que prolongam a vida dos doentes, principalmente a partir do chamado coquetel de medicamentos. Hoje, o governo declara que a situação está estabilizada, mas a cada ano, cerca de 35 mil brasileiros se infectam. Estima-se que, no país, haja mais de 600 mil infectados, dos quais cerca de 230 mil não sabem, ainda, que são soropositivos. Os dados do Ministério da Saúde mostram que há ainda grupos mais vulneráveis que outros à síndrome. Em 2018, cerca de 56% dos casos de aids foram registrados entre pessoas negras e, cerca de 60%, entre aqueles com até o ensino médio completo. Muita gente hoje vive com HIV e não sabe. Com tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais, a geração mais nova parece não ter medo da Aids. A falta de informação e conscientização dos jovens em relação ao um assunto tão sério quanto esse é algo preocupante. Há necessidade, pois, de que a família, a escola e o poder público foquem em diálogos com a juventude. A falta de informação é a maior vilã da banalização da doença.

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