ARTIGO
A guerra e a imprensa
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A obra de Churchill “Memórias da Segunda Guerra Mundial”, um calhamaço de 1.197 páginas, é aberta com um diálogo travado com o presidente Roosevelt. Quando lhe perguntou como poderia descrever sucintamente aquele gigantesco conflito que eliminara mais de 20 milhões de pessoas, a maioria civis inocentes, principalmente crianças, mulheres, idosos e 6 milhões de judeus, Roosevelt lhe respondeu: “ A GUERRA QUE PODERIA TER SIDO EVITADA”. Churchill, a maior liderança aliada naquele conflito, ganhou o Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra jornalística, onde descreve o impiedoso bombardeio de Dresden, cidade alemã, sem objetivo militar, quando a RAF exterminou 200 mil civis, genocídio denunciado pela imprensa livre ocidental, o que recolocou os aliados nos trilhos e os afastou de se igualarem ou superarem a barbárie nazista.
Foi também a IMPRENSA LIVRE norte-americana que denunciou o massacre de crianças, mulheres e idosos, precedido por estupros coletivos da aldeia de May Lay durante a Guerra do Vietnã. Ela conseguiu posteriormente divulgar os ARQUIVOS SECRETOS do PENTÁGONO, onde lideranças militares da época de Eisenhower já reconheciam a impossibilidade de vencer aquele contencioso do sudoeste asiático, o que não evitou o sacrifício de mais de 60 mil jovens norte-americanos nos campos vietnamitas. A tão atacada IMPRENSA LIVRE surgiu como uma conquista (sangrenta) das revoluções liberais, mas o que tece a liberdade é o exercício radical da LIBERDADE de EXPRESSÃO. Ela é uma conquista do ILUMINISMO, baluarte das democracias e consta da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, como da Declaração de Virgínia de 1776, bases da democracia norte-americana, onde fica explicitado: “Se existem jornalistas exercendo e ampliando suas liberdades públicas, sei que o poder terá menos espaço para abusar de mim”. A eliminação do general iraniano Soleimani pelo governo Trump não foi consensual entre os comandantes militares americanos, que depois rejeitaram totalmente uma escalada bélica na região.
Embora, de imediato, a tensão e a imprevisibilidade dominem o cenário, a REDUÇÃO da HEGEMONIA AMERICANA na região parece INEVITÁVEL, paralelamente à ascendência iraniana, decorrência de sua força xiita, igualmente o RETORNO do ESTADO ISLÂMICO, supra-sumo do terrorismo, é temido. A guerra de versões entre EUA x Irã nos remete ao senador Hiram Johnson: “A primeira vítima das guerras é sempre a verdade”. A imprensa livre - mesmo atacada impiedosamente por Trump e imitadores do seu estilo autoritário, que o copiam insensatamente (“OS JORNALISTAS SÃO UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO e vão precisar do IBAMA para cuidar deles!”) - permanecerá alerta para sempre restabelecer a verdade dos fatos, informar corretamente e auxiliar a manter uma separação concreta entre mentiras e verdades, entre a civilização e a barbárie, seja na paz como nas guerras.