Opinião
Teremos espet�culo?
O governo anunciou que estuda uma forma de viabilizar a redução da jornada de trabalho, hoje fixada em 44 horas semanais, sem reduzir a remuneração dos trabalhadores. A intenção é criar 2 milhões de novos postos de trabalho. Embora esta possibilidade (a redução da jornada) já conste da Constituição, é a primeira vez que um governo brasileiro oficialmente vai propô-la sem redução de vencimentos A proposta consta do Plano Plurianual (PPA) para o período 2004-2007 e visa cumprir uma das promessas de campanha do presidente Lula ? da criação de 10 milhões de empregos, 20% dos quais gerados por intermédio deste mecanismo, já utilizado em outros países com relativo sucesso. Acontece que no âmbito do próprio governo há quem duvide de que esta meta seja atingida. A descrença se baseia na taxa de crescimento estimada pelo próprio PPA para o período: 3,5% para 2004; 4% em 2005 e 4,5% em 2006. Com estas taxas, não se conseguiria atingir os objetivos de criação de 10 milhões de empregos. Projeções do Ministério do Trabalho apontam que seria necessário taxas de crescimento de 5% ao ano para isso. Depois de frustar os funcionários públicos com a reforma previdenciária, o governo parece querer tratar a questão do emprego de forma diferente. Será que se vai tentar passar a conta para o segmento privado? Como se reduzir a jornada de trabalho sem redução de salário? No governo FHC essa dupla redução foi aventada mais de uma vez, e sempre contou com forte oposição do PT. Hoje no governo, como os petistas estarão pensando em reduzir jornada mantendo o salário? De toda forma, tudo isso pode ser discutido tendo como pedra angular a retomada do desenvolvimento (e algum alívio na pesadíssima carga tributária). O crescimento econômico, desde que em bases sólidas, com taxas de crescimento de acordo com as necessidades do País, é sem nenhuma dúvida o melhor antídoto para combater o desemprego e a exclusão social, termo tão em moda hoje em dia. É esperar e conferir, se as taxas de crescimento econômico projetadas para o próximo triênio serão suficientes para promover o ?espetáculo do emprego?, com efeitos especiais como a redução de jornada sem redução salarial.