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Opinião

Sobre petróleo e guerra (2)

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Os eventos recentes no Oriente Médio me obrigaram a escrever uma segunda parte do meu artigo Sobre Petróleo e Guerra. Recapitulando: No dia 14 de setembro de 2019; a Arábia Saudita, sofreu um grande ataque, perpetrado por rebeldes que receberiam apoio do Irã. Devido a este ataque aos meios de produção de petróleo daquela nação árabe, a produção desta commodity no país caiu pela metade.

Como é de conhecimento geral, recentemente os Estados Unidos promoveram um ataque ao Iraque, que violou a soberania de dois países, Iraque e Irã, cujo alvo era o General iraniano Qasem Soleimani. Um ato de guerra sem autorização do Congresso, passível, portanto, de impeachment do Presidente Donald Trump, que debochadamente, após este atentado terrorista, “twittou” uma bandeira do país norte-americano. Esta ação beligerante causou a ira do governo e da população do Irã, país persa, e não mulçumano, alvo do ataque.

O líder militar iraniano assassinado era muito respeitado, exercia um papel fundamental na luta contra o terrorismo do grupo extremista islâmico “Daesh”, conhecido no Ocidente como “Estado Islâmico”ou “ISIS”, que compartilha com a Arábia Saudita a mesma visão salafita ou “wahhabita” do islamismo sunita. Soleimani, além de respeitado em seu país por ser o líder das forças “Quds”, a elite da Guarda Revolucionária do Irã, liderou milícias que libertaram parte do Iraque do terrorismo. Os maiores beneficiários do crime cometido pelo governo americano contra Soleimani e o governo iraniano foram a Arábia Saudita, que vingaria os ataques sofridos em seu território e o ISIS, enfraquecido por ações conjuntas da Rússia, Síria, Irã, Iraque e outros países.

Após o atentado contra Soleimani, o Irã, que teve sua soberania violada, hasteou pela primeira vez na história, a bandeira de “batalha total” na mesquita de Jankaran, a maior do país, um estandarte vermelho, que, na tradição xiita, significa vingança ao sangue de uma pessoa morta injustamente. A retaliação não tardou. No dia 7 de janeiro, a base militar ianque em Al Asad no Iraque, foi atacada pela Guarda Revolucionária do Irã. A reação do mercado às tensões e risco de guerra, se deu com a queda das bolsas na China e na Europa e a elevação do valor do ouro, que atingiu seu valor mais alto desde 2013 e com o Petróleo em alta, porém de forma contida, o que demonstra que o mercado não aposta em uma escalada do conflito ou em uma guerra ampla e direta no Oriente Médio, entre os Estados Unidos e o Irã. Neste contexto, como já foi apontado preteritamente no primeiro artigo homônimo a este, ao Brasil resta apenas o papel periférico do governo Bolsonaro como coadjuvante do Governo Trump. Este papel secundário se confirma, com Bolsonaro se alinhando com a narrativa estadunidense de que o general iraniano seria um terrorista. Em recente comentário, o presidente brasileiro afirma que Qasem “não era General”.

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O Itamaraty informou que “ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA no Iraque, o governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional”. Esta ação rompe com a tradição brasileira de considerar terroristas apenas aquelas organizações listadas pelo Conselho de Segurança da ONU, que pelas suas resoluções, só considera terroristas os grupos al-Qaeda e Estado Islâmico.

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