Opinião
Caso de polícia
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“Pode-se estabelecer que, quanto maior a perspectiva de punição, ou seja, o grau de certeza de que o seu crime vai ser descoberto, menor será a disposição do criminoso em praticá-lo”. Esta afirmação consta na dissertação de mestrado sobre perícia e investigação criminal apresentada por João de Oliveira à EBAPE, da Fundação Getúlio Vargas.
É também oportuna a visão acadêmica num momento dramático em Alagoas. O presidente do Sindicato dos Peritos Criminais, Paulo Rogério, denuncia o descaso do governo Renan Filho em relação a um setor fundamental para o combate à criminalidade, a partir da obtenção da prova científica. “Sem perícia, a sociedade fica refém da impunidade”. Se a situação da polícia judiciária no Estado vem muito ruim, a semana começou expondo ainda mais as vísceras da inação de um governo. A paralisação dos policiais civis atinge o ápice de uma crise que vem sendo gestada nos últimos cinco anos. O que se contabiliza é de um prejuízo imensurável para a população. Enquanto a entidade representativa dos policiais repetia que a política de segurança pública precisa evoluir, não voltando ao passado, o governo fechava delegacias no período noturno. Casos de flagrante, em qualquer localidade no interior do Estado, passam a ser lavrados na capital. A deficiência do quadro de delegados e de agentes reflete em números impressionantes. Estima-se em mais de 15 mil inquéritos parados nas delegacias. Na semana que passou o Tribunal de Justiça de Alagoas determinou o arquivamento de 253 mil inquéritos, dos quais 19 mil são processos criminais. Entre estes, havia mais de mil casos de homicídio. A suposição é de que muitos desses processos são arquivados por falta de identificação dos autores materiais. E assim vem ocorrendo em seguidos anos. Só chamando a polícia para combater a ineficiência e a omissão de um governo, diante de um setor essencial do aparato de segurança pública. Sem um aparelho pericial eficaz, não há investigação eficiente. A ausência de laudos influencia a ação dos delegados, dos investigados, dos promotores e da Justiça.