Opinião
Outra Ufal
.
“Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão”. Foi inspirada nessa frase, escrita pela alagoana Nise Silveira, que assumi a reitoria da Universidade Federal de Alagoas para enfrentar o maior desafio entregue a mim pela comunidade universitária.
Vencemos as eleições na Ufal, em 2016, com a promessa de construir uma “Outra Ufal: democrática, autônoma, crítica e socialmente referenciada”. E construímos uma gestão coletiva, onde as mulheres ocuparam a maioria dos cargos de decisão e provaram seu compromisso com a educação pública brasileira. Valorizando técnicos, professores e estudantes, entramos em rankings internacionais de qualidade acadêmica pela primeira vez na história. Enfrentamos desafios impostos por uma conjuntura de ataques às Universidades públicas brasileiras e à Ciência, através dos contingenciamentos financeiros, redução da autonomia universitária, flagrante perseguição ao pensamento crítico e à liberdade de cátedra. Sem medo, nos posicionamos sempre ao lado do povo alagoano, para garantia dos direitos humanos, diversidade e pluralidade de ideias. Contra a maré, ampliamos a Ufal de tamanho em área construída, entregando 28 obras da capital ao interior, entre elas, o Complexo Esportivo Universitário com 48 mil metros quadrados. Consolidamos o protagonismo da Ufal realizando grandes eventos científicos e culturais como a 70ª Reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a 9ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas que resgatou o pertencimento do povo alagoano às expressões de arte, cultura, história e literatura, colorindo as ruas de Jaraguá.
Primeira reitora assistente social do Brasil, tenho orgulho de escrever este artigo no fim da gestão e contar que nosso trabalho coletivo elevou os indicadores de qualidade acadêmica, ampliou bolsas acadêmicas e políticas de permanência estudantil, abriu mais restaurantes, os quais, só em 2019, serviram quase 1 milhão de refeições. Essas ações renderam para a Ufal o título de universidade federal brasileira em que os estudantes menos desistem dos seus cursos, com taxa de evasão estudantil decrescente.
Em um contexto de avanço do conservadorismo, continuaremos contribuindo para que as Universidades públicas permaneçam comprometidas com os mais altos valores da humanidade, democracia e liberdade de expressão e de cátedra. Seguimos ao lado dos movimentos sociais e do povo alagoano.
Operação Ruptura: PC investiga organização criminosa em Coruripe
Instituto Federal de Alagoas abre curso de mídias sociais
Homem é baleado na cabeça após discussão em Arapiraca
Ex-policial militar é preso por golpes em Maceió