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Inca

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MARCOS DAVI MELO * Cheguei ao Inca em 1991. Não como muitos outros colegas conterrâneos que lá fizeram especialização em câncer e hoje dão a sua grande contribuição na luta contra a enfermidade em Alagoas. Desembarquei ali para fazer parte do seu primeiro Conselho Consultivo, o Cossinca, órgão constituído pelos presidentes das 3 principais sociedades científicas na área da cancerologia no País: a Quimioterapia, a Oncologia Pediátrica e a Radioterapia, para a qual eu tinha sido eleito fazia pouco tempo. O seu diretor geral era um alagoano radicado há muito tempo no Rio. O Dr. Marcos Moraes tinha sido indicado pelo governo Fernando Collor e vinha imbuído daquela aspiração primeiro-mundista que marcou aquele governo. Embora o Dr. Moraes fosse portador de consagrada experiência cirúrgica, robustecida em vários cursos de aperfeiçoamento nos maiores centros internacionais, não fazia parte do staff do Inca, o que sempre é uma dificuldade a mais nestas ocasiões. Na época, o ministro da Saúde era Alceni Guerra, seguido por Adib Jatene. Com o governo Itamar Franco chegou ao ministério o Dr. Jamil Haddad. Os membros do Cossinca em várias ocasiões acompanhavam o diretor geral do Inca nos despachos em Brasília com os ministros para tratar da problemática do câncer. Embora Jatene tenha sido um dos homens mais preparados que já passaram por aquele ministério, Haddad nos causou boa impressão e em sua permanência no ministério jamais interferiu com a administração do Dr. Moraes, que ali permaneceu até o segundo governo Fernando Henrique, na mais longa e profícua gestão da história do Inca. A atual crise do Inca tem exposto ao público a possibilidade de desacertos administrativos como a razão da mesma. Seriam nomeações de pessoas para funções técnicas importantes pelo critério político, dificultando os encaminhamentos dos imensos problemas que uma instituição dedicada ao combate ao câncer tem que resolver diariamente, sem retardos ou postergações. Assim, segundo a grande imprensa, os lençóis passaram 7 dias e não 1 para serem trocados nos leitos. Faltaram desde antibióticos à ciclosporina, usada nos transplantes de medula óssea. Pacientes tratados de câncer em um hospital são sempre motivo de cuidados intensivos. Não só pela própria doença, como pelas muitas intercorrências, entre elas as imunodepressões e as infecções que exigem medidas imediatas. Não existe espaço para falhas administrativas que compliquem ainda mais esta delicada situação. Como foi dito pelo ministro da Saúde, não houve falta de verbas, o Inca é sabidamente muito bem abastecido de recursos. Em que pese não estar mais no Cossinca, mantenho-me ligado ao instituto, fazendo parte da Comissão Científica do Programa de Qualidade em radioterapia e não só por isso: como cidadão, tanto torço pela normalização das suas atividades quanto pela prevalência dos critérios técnicos sobre os políticos nas coisas sérias da vida. (*) É MÉDICO

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