Opinião
�pera bufa dos vint�ns
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional a proposta do Orçamento para o ano de 2004. O ministro do Planejamento aproveitou a ocasião para dizer que se trata de ?um orçamento realista e não inflado, como os que já vimos no País.? E arrematou: ?Normalmente, os orçamentos apresentam números de ficção para os investimentos. Estamos colocando aquilo que é executável?. A proposta agradou alguns dos líderes aliados, segundo informa a imprensa, que ressaltaram o realismo da proposta. Tanto os líderes governistas como o ministro do Planejamento enfatizaram tal caráter (real) do orçamento proposto. Mas o que significa isso? Basta uma leitura nas rubricas do orçamento previsto para 2004 para se ter uma resposta precisa do seu emblemático e tão ressaltado significado. O ?realismo? da proposta está explícito na área social do governo, de onde somem recursos. Em 2003, 72,5% das despesas estavam vinculadas à área social; mas na proposta para 2004, esse percentual cai para 70,25%. Além disso, o governo mantém o arrocho fiscal, já que os investimentos previstos diretos da União somariam apenas R$ 7,8 bilhões ? o que é quase um quarto menor do que a média (já baixa) de investimentos executada nos últimos quatro anos do governo FHC. A depender do orçamento da União, não teremos no próximo ano o prometido ?espetáculo de crescimento?. Quem sabe, o Brasil sofrerá, mais uma vez, o show de horrores ?realista? de sempre, o mesmo que esteve em cartaz nos últimos oito anos, e que a população já assistiu tanto ao ponto de não agüentar mais reprise, mesmo que em forma de ?remake? e com novo diretor. E o pior, nessa tragédia pós-shakespeareana, as vítimas serão detonadas por seus próprios heróis, quando acreditavam que seriam por eles salvas para sempre. Sem verbas para os projetos sociais, não haverá nada de alvissareiro em cena, sendo certo novas mutilações na esperança. Prestes a entrar em cartaz, portanto, a mais nova obra do realismo capitalista selvagem.