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O vírus e o submarino

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A epidemia de coronavírus atual, que já se espalhou por diversos continentes, traz consigo uma séria ameaça à saúde pública e à economia mundiais, e mostra que, na ciência, como na política e em quase tudo na vida humana, a história pode nos ajudar a entender melhor a realidade, assim como tecer perspectivas e providências sobre o futuro: a Gripe Espanhola, pandemia que matou mais de 20 milhões de pessoas (mais do que a soma de baixas das duas grandes guerras mundiais), foi detectada inicialmente no último ano da Primeira Guerra mundial (1918), nas trincheiras germânicas, onde eliminou um número gigantesco de combatentes, tendo rapidamente se espalhado para as trincheiras britânicas, onde causou similar devastação.

Os historiadores registram que uma embarcação proveniente de Liverpool, com escalas no Recife, Salvador e Rio de Janeiro, foi a provável responsável pela gripe espanhola no Brasil. Na Inglaterra e no País de Gales, morreram cerca de 200 mil pessoas. Os EUA computaram meio milhão de mortes. Povoados de esquimós tiveram mais da metade de seus habitantes mortos pela gripe. Na Índia, o número foi ainda mais espantoso: cinco milhões de mortos. No Brasil, contabilizaram-se 12.700 mortes, entre elas, a do presidente eleito Rodrigues Alves, que não chegou a tomar posse. Nosso planeta, que tinha menos de 20% dos atuais habitantes, ficou gripado.

Com o desenvolvimento da ciência e o surgimento do microscópio eletrônico, os pesquisadores da Universidade da Filadélfia estudaram os restos mortais conservados de cinco vítimas da Gripe Espanhola (2 soldados norte-americanos, 2 britânicos e um esquimó) e chegaram à conclusão de que o vírus responsável pela maior pandemia do século XX foi um H1N1, muito semelhante ao encontrado depois em aves criadas na China e na Tailândia. Hoje, sabe a ciência que epidemias de gripe que devastaram parte da humanidade tiveram o seu início há dez mil anos, quando se iniciou a domesticação e criação em cativeiro de animais então selvagens, como galinhas, aves migratórias e porcos, origem majoritária desses vírus. Quantidades grandes de vírus circulavam entre esses animais e o homem passou a conviver com eles e a oferecer-lhes um campo de cultura e propagação. Esses vírus, depois de sofrer mutações, passaram a acometer os seres humanos, onde podem causar doença, morte, além de sérios distúrbios na economia. O avanço da ciência fez com que rapidamente já se decifrasse a estrutura genética do Coronavirus, batizado 2019-nCOV, que tem mostrado alto potencial de propagação, mas baixa letalidade: 3%. Todavia, em sua evolução, esse vírus pode ainda sofrer mutações, tanto para menor como para maior agressividade. É inquietante saber que o TESOURO NACIONAL em 2019 proporcionou um aumento real (acima da inflação) de 22,1% nas despesas do governo com a Defesa - basicamente para construir um submarino nuclear - em relação a 2018. Paralelamente, caíram as despesas do governo com Educação em 16%, em SAÚDE, 4,3%, e em SEGURANÇA, na pasta do ministro SÉRGIO MORO, minguaram em 4,1%. Alerte-se que as secretarias de Saúde nos estados e municípios já estão atoladas em dívidas com os hospitais prestadores de serviços do SUS. A ciência tem como prioridades máximas e absolutas o bem estar e a saúde do ser humano. Seria de esperar que os governos seguissem-lhe o exemplo.

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