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Opinião

Dif�cil via f�cil

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Enquanto todos os indicadores sociais apontavam para uma formidável desaceleração na economia, alguns arautos do otimismo governista teimavam em recusar o fato de que o País estava em recessão. Apoiados em filigranas técnicas ou teóricas, negavam o que milhões de trabalhadores desempregados concretamente já tinha percebido. Agora, sem mais artifícios que protelem (ou mascarem) tecnicamente os dados econômicos, estamos em recessão. Hoje o IBGE confirma: a economia brasileira está na UTI. Neste estágio, o tratamento ministrado é, às vezes, rigoroso demais. À medida que o paciente ?agoniza, mas não morre?, a discussão continua, para saber se a dose do remédio está dificultando sua recuperação, ou é a única alternativa para mantê-lo com esperanças de superar o mal que o acometeu. Segundo especialistas ? como o ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2001 e ex-vice-presidente do Banco Mundial, Joseph Stiglitz ? a dose do remédio ministrada pelo Banco Central brasileiro foi forte demais: ?O resultado poderia ter sido melhor se eles tivessem aplicado uma política monetária menos rigorosa. Nesse caso, ao invés de uma queda, o Produto Interno Bruto (PIB), poderia ter mantido o crescimento?. O que fazer para reverter este quadro? Esse é o grande desafio do governo Lula. Os caminhos são tortuosos e acidentados. Requerem discernimento, ousadia, muita competência política e administrativa. E mais que tudo, exigem romper com o círculo vicioso da última década de espasmos de crescimento, com períodos crescentes de letargia econômica. É preciso discutir com base nessa realidade a necessidade, ou não, de um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), já que o em vigor finda em dezembro do corrente. É indispensável ponderar bem a conveniência de fazê-lo e, se inevitável, lutar por bases mais flexíveis, levando em conta as necessidades da população brasileira. Uma velha conhecida, a ?companheira recessão?, volta para reafirmar que a ?via fácil? da pura submissão ao FMI não pode levar a outro desfecho.

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