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Santas pol�micas

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Dias atrás, a sempre participante Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu um documento intitulado ?Análise de Conjuntura?, onde tece suas avaliações sobre os cenários brasileiros de agora e suas perspectivas. Críticas, ainda que cuidadosas e atenciosas, foram feitas ao governo Lula. Segundo a CNBB, ?os indicadores econômicos gozam de boa saúde enquanto os indicadores sociais sofrem de anemia crônica?. Avançando na constatação do ululante, o documento afirma que existe um contraste entre o lucro recorde dos bancos e o ?aumento da multidão dos despossuídos; entre a concentração da terra, da riqueza e da renda e o aumento de favelas; entre a inflação baixa e a diminuição do consumo?. Apesar de considerar seis meses um tempo insuficiente para se fazer uma avaliação completa do governo, e, principalmente, apontar suas perspectivas, líderes da CNBB ressaltam que ?mudanças importantes foram realizadas? e de que ?a administração do PT é um governo de alianças com interesses diversos?. Segundo o vice-presidente da entidade, dom Antônio Celso Queiroz, a reforma da previdência acertou ?como medida emergencial? em pontos polêmicos como a taxação dos inativos e arrematou: ?Não se pode recorrer a direitos adquiridos quando há abusos visíveis?. A nota mantém-se nos trilhos políticos que marcam a CNBB, sempre atenta às questões da economia e da cidadania. Em outros temas, a polêmica aflora com mais força, mesmo que em debates mais discretos em público que nos bastidores, onde aflora com mais calor. Um dos temas causadores de maiores discussões está na opinião de lideranças sobre a taxação dos inativos (naturalmente todos esses e seus familiares se consideram espoliados). Outro tema a causar decepção e discussão, principalmente nas camadas mais jovens e esclarecidas, é a manutenção da crítica às campanhas educativas sobre o uso dos preservativos. A ofensiva brasileira nesse campo tem sido elogiada internacionalmente e não é uma invenção do atual governo ? pelo contrário, é política implementada há anos, a partir de pesquisas abalizadas e com reconhecida eficácia. Enfim, a CNBB segue em seu caminho de se posicionar com firmeza em relação aos rumos do Brasil. Esse é um grande mérito. Acerta aqui, erra acolá, mas sempre estimulando o debate democrático. Que continue assim, abençoando a liberdade de expressão e avaliação crítica para o povo.

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